quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Contos #05 — Amigos (suspense/terror)



Gudinápolis, 25 de abril de  2009

O que é ser uma pessoa bem ajustada socialmente? Alguém que saiba conviver com diferentes tipos de pessoas? Alguém que tenha um bom emprego? Alguém que tenha amigos, família e um cachorro? Alguém que saiba conversar? Que saiba se portar em diferentes situações? Que, acima de tudo, se aceite como é e faça sempre o melhor de si estar em evidência? Bem, se essas entre outras são as características que definem essa pessoa bem ajustada, estou longe disso. Minha mãe morreu quando eu tinha 3 anos. Meu pai, apesar de nunca deixar me faltar comida e uma cama quente, nunca cumpriu os deveres afetivos de um pai. Nunca ganhei um beijo de boa noite, um incentivo nos estudos, uma bronca para auxiliar a formação de meu caráter e muito menos uma conversa de homem pra homem. As únicas palavras que ouvia dele com frequência eram "toma o dinheiro do mercado" e "não demora nesse banho ou vai ter que trabalhar pra pagar a conta de luz". Eu tinha 8 anos e já era responsável por fazer as compras e cozinhar. Na verdade, acredito que ele não tenha me obrigado a trabalhar fora porque não queria ter que pagar uma empregada para tomar conta da nossa casa nos afazeres domésticos, embora ele levasse uma piranha ou outra pra lá de vez em quando. A imagem que tenho dele em memória é de seu sapato pesado batendo levemente no chão enquanto assistia TV após o trabalho. Ele também quase nunca comia. Ou comia na rua, não sei.

Meu pai morreu quando eu tinha 15 anos em um acidente ridículo de trabalho. Sendo assim, precisei ir morar com um tio caduco e começar a trabalhar. Esse tio tinha tantos problemas de saúde que eu não sei dizer se me mudei para lá para ele tomar conta de mim ou ao contrário. Ele nunca falava nada. Nem eu, cresci acostumado a ficar sozinho. Minha vida escolar e no trabalho também não era nada sociável. Sempre fui tímido e não gostava de olhar nos olhos de ninguém. Meus colegas também sabiam de minha situação e sempre me olhavam com pena, o que fazia eu ter menos vontade ainda de olhá-los nos olhos. Eu não sou autista, simplesmente não queria amigos conquistados pela compaixão, estava melhor sozinho. Os professores também nunca forçaram minha participação em nada, eu era quase um aluno fantasma. Se eu conseguisse nota ou não, era indiferente. Eles jamais ousariam me questionar ou me segurar na escola, tudo por piedade. Piedade por eu ter perdido minha mãe cedo, por não ter atenção de meu pai e por passar sempre a imagem do fracasso com os ombros caídos e o olhar perdido. E a escola não se preocupava tanto em investigar e tratar os problemas dos alunos como hoje em dia.

Ao mesmo tempo que eu sempre me senti inferior ao mundo, via o mundo de maneira inferior. Ninguém merecia minha atenção e minha palavra. Eu não tinha motivos para me esforçar e me dar bem com pessoas toscas. A solidão sempre foi minha melhor companhia. Mas há uns seis meses eu comecei a delirar. Comecei a enxergar e conversar com pessoas que não existiam. Essa falta de aproximação com o mundo real fez com que minha mente criasse um mundo próprio para aliviar essa solidão em que eu me encontrava. Nesse mundo próprio, pelo menos as pessoas eram menos toscas. O pessoal do trabalho começou a me olhar de forma estranha. Óbvio, já que uma pessoa que mal falava começou a conversar sozinha. Percebi o que estava acontecendo quando recebi uma visita em casa sem precisar abrir porta nenhuma. E claro, quando a visita foi embora, simplesmente sumiu sem se despedir. Só podia ser alucinação, nunca acreditei em fantasmas. E mesmo que eles existam, acredito que tenham coisas mais interessantes para fazer do que sentar no meu sofá e conversar sobre meu dia e minha falta de ambições. Decidi vir para cá por livre e espontânea vontade. Vejam, não sou tão louco quanto pareço, certo? Agora que completei 28 anos e continuo trabalhando de garçom no mesmo restaurante fuleiro desde os 15, percebi que preciso correr atrás de algo mais na vida. Talvez me casar e ter filhos, filhos para os quais eu irei dar a atenção que meu pai nunca me deu. Só quero ter amigos. Só quero ser uma pessoa normal.

Tales Figueiredo


A carta acima foi encaminhada para o Hospital Psiquiátrico Público Vidal Armandes de Gudinápolis. Como todo sistema público, especialmente quando se trata de saúde em uma cidade de interior que é quase um vilarejo, demorou para que Tales recebesse uma resposta e fosse aceito. Até porque, uma pessoa que queira se internar por livre e espontânea vontade realizando seu próprio diagnóstico não é levada a sério pelos psiquiatras. Porém, Tales não sabia, mas o gerente do restaurante onde ele trabalhava também enviou cartas dos funcionários ao hospital. Nessas cartas, os funcionários relataram diversas situações estranhas que presenciaram em relação ao rapaz. Após alguns meses de avaliação, o hospital finalmente decidiu internar Tales. Não faria tanta diferença, já que naquele fim de mundo mal existiam habitantes suficientes para lotar uma sala de cinema, quanto mais loucos para lotar um sanatório...

— Olha, aqui é onde você vai ficar. Enquanto tiver tudo bem, você fica na paz, desde que respeite nossos horários. Se começar a dar trabalho, qualquer tipo de trabalho, já sabe: é de tranquilizante pesado na veia pra pior. Está avisado?

Com essas palavras, Tales conheceu seu quarto. A enfermeira Clotilde era uma mulher parruda de aproximadamente 55 anos, com a voz grave denunciando seu vício em tabaco. Seu cabelo era armado e desgrenhado na altura das orelhas. Não era muito alta, mas sua postura intimidava. Essa postura com certeza facilitava seu trabalho em controlar pacientes desequilibrados. Mas Tales não precisaria conhecer nenhum lado cruel dos médicos e enfermeiros da instituição. Ele tinha consciência de seu problema e que só sairia de lá quando se sentisse de fato curado, sem relutar contra nenhum tratamento. Pelo menos era esse o objetivo inicial.

Os primeiros dias foram fáceis. Ele sempre gostou da solidão e ali não acontecia muita coisa. A rotina era basicamente café da manhã, tratamento, almoço, lazer, café da tarde, hora do banho, leitura, jantar e hora de dormir. Ele nem precisou tomar remédios para dormir, visto que obedecia muito bem os horários sem qualquer problema. A dinâmica de seu tratamento se resumia a uma roda de conversa. Claro, pois se o problema era sua falta de postura social e contato com outras pessoas, nada melhor do que forçá-lo a essa socialização. Nessa roda estavam presentes ele, um médico psiquiatra, dois enfermeiros e outros dois pacientes do hospital. No total o hospital contava com nove pacientes, mas nem todos estavam no mesmo espaço que Tales. O espaço do qual ele fazia parte era considerado o mais leve do lugar, contando apenas com pacientes de causas mais tranquilas, sem grandes surtos. Daquela roda, um desses outros pacientes sofria de mente infantilizada, agindo como criança sem nenhum diagnóstico neurológico que justificasse tal atitude. Outro deles, uma mulher, sofria com automutilação. Como a ala do hospital já faz imaginar, não era nada grave como alguém que quer cortar dedos, braços ou mais. Ela começou roendo unhas, passou para as cutículas e atualmente estava com os dedos totalmente deformados e sem conseguir tirá-los da boca. Era quase como uma viciada em drogas, e para controlar esse vício, colocaram cones nas mãos dela. Sim, cones, igual aqueles que são colocados no pescoço dos cachorros.

Ao conhecer os outros pacientes, Tales ficou confuso sobre a qualidade do lugar em que se enfiou. Três pacientes era um número ridículo para um hospital público — mesmo levando em conta apenas aquela ala — e quando conheceu o problema desses pacientes, especialmente a moça que comia os dedos, a situação passou a ficar ainda mais ridícula. Na visão dele, onde todas as outras pessoas eram seres inferiores e toscos, um cara que babava e fazia cocô nas calças só queria chamar a atenção. E, cones? Sério? Iguais de cachorro? Por um triz ele não saiu dali e voltou para seus amigos imaginários. Se forçou a ficar pela ideia de formar sua própria família.

Embora o objetivo principal daquela roda de conversa fosse a conversa, especialmente para Tales, ele se limitava a responder as perguntas que lhe eram direcionadas. Não entendia como o contato com aqueles dois retardados fosse ajudá-lo de alguma forma. Ele precisava de contato com o mundo real, com pessoas normais — mesmo que toscas — porque aquelas pessoas não faziam sentido nenhum. Eis que, depois de duas semanas, ele demonstra sua insatisfação durante esse suposto tratamento:

— E você, Tales? O que tem pra nos dizer ou perguntar para seus colegas?

— É sério isso, Doutor? Você faz a mesma pergunta três vezes na semana. A gente não sai desse lugar, que novidades posso ter pra conversar? E o que esses dois imbecis podem ter pra falar comigo? Um não sabe nem cagar sem ser nas calças, quanto mais raciocinar. A outra não tira essa mão nojenta da boca, vai falar por onde? Aliás, o senhor reparou que ela anda roendo o cone também?

Ao se referir à mão nojenta e ao cone, Cecília, a dona da mão e do cone, olhou para ele com o cenho franzido. O médico, que já esperava por atitude semelhante vinda de Tales desde o início do tratamento, respondeu calmamente:

— Meu jovem, se você está aqui, alguma razão tem. E te garanto que ofender seus colegas não seja uma delas. Mas, de qualquer forma, se isso for ajudar em sua recuperação, continue... O que mais tem a dizer?

— Eu acho que me enfiei num buraco mais fundo do que já tava. Só isso.

Dizendo isso, o rapaz se levantou e saiu da sala. Um dos enfermeiros ameaçou levantar para trazê-lo de volta, mas o médico sinalizou para que o deixasse ir.

Tales foi para seu quarto, evitando sair e ter que ver aquelas pessoas novamente. Ele já esperava que viessem enfermeiros para intimidá-lo e obrigá-lo a tomar calmantes, mas isso não aconteceu. Estava no quarto por quase duas horas quando ouviu uma batida na porta. Ele já ia xingar quando um moço desconhecido entrou e foi logo dizendo com um ar de hiperatividade:

— Oi, sou Luan, seu novo colega de quarto. Acho que tô suando... Mas espera, cadê minha cama? Ah, tá aí. Posso? Posso? Posso?

O rapaz que já estava sem paciência pensou logo em ignorar mais aquela criatura. Mas, se iam dividir o quarto, pelo menos boa vontade em conhecer o garoto ele precisava demonstrar.

— Por que você veio parar aqui?

— Ah, meus pais me chamam de anormal. O que é aquele negócio colorido ali? Então, ah, meus pais me acham anormal porque eu sou muito mais inteligente do que as pessoas que convivem comigo. Aquele negócio tá se mexendo... Onde eu tava? Meus pais... Anormal... Ah, sim, então...

Tales ficou confuso, não sabia se olhava para o tal negócio colorido ou se olhava para o garoto. Pediu para que ele se acalmasse e respirasse entre suas frases.

— Relaxa, cara. Eu sempre falei assim e nunca me faltou ar não. Mas eu vou ver o que é esse negócio colorido! Qual seu nome? Já assistiu Lost? O seriado da ilha, da iniciativa Dharma, do Desmond? Velho, entendi tudo... Sabe o Jacob? Então, ele na verdade...

— Calma! Sério. Nunca assisti Lost e não tenho o menor interesse em saber quem é Jacob e nem Desmond. Meu nome é Tales e eu não sei mais a razão de ter me enfiado nesse lugar.

Luan ficou olhando para o novo colega por dez segundos com as sobrancelhas erguidas, até que abriu um sorriso e respondeu empolgado:

— Você veio aqui pra me conhecer!

Tales suspirou e optou por dar uma chance ao garoto. Até porque, dentre ele, o bebê gigante e a comedora de mãos, ao menos esse conversava. Aliás, conversava por três!

Dois dias após a chegada do novo paciente, na hora do lazer Tales estava procurando Luan na área externa do hospital, onde eles tomavam banho de sol. Não encontrou. Provavelmente ele deveria estar conversando com o médico ou recebendo visita da família. Era um garoto de 16 anos, mas depois de passarem a noite conversando, — burlando o calmante como aprendemos em vários filmes — ficou claro que era a pessoa menos tosca com quem Tales já havia convivido. Pela primeira vez ele se sentiu a vontade conversando com alguém que não fosse um amigo imaginário.

Após o banho de sol, precisavam se organizar para o café da tarde. Tales foi até seu quarto e estava sentado colocando meias quando uma moça entrou correndo pela porta fechando-a em seguida. Encostada na porta fechada, ela olhou para o rapaz e pediu com um gesto que ele fizesse silêncio. Claramente ela estava brincando de esconder. Mas com quem? Foi quando Tales ouviu a voz de Luan:

— Eu vi você onde você entrou, Diana! Dois segundos pra sair sem sofrer as consequências. Um... Um e meio...

— Espera! Quem é você e que palhaçada é essa no meu quarto? — Tales perguntou olhando pra moça. Antes que ela respondesse, Luan invadiu o lugar, jogando-a no chão e fazendo cócegas até que lágrimas escorressem de seus olhos enquanto ela tentava gritar entre os risos e pedia para parar.

— CHEGA! Porra. Dá pra alguém me falar quem é essa pessoa? — Tales não parecia nem um pouco animado com a brincadeira. Os dois logo se levantaram do chão e a garota foi se apresentando:

— Desculpa. Meu nome é Diana. Vim pra cá hoje, mas já conhecia o Luan da escola.

— Tá, e vai dizer que você também veio pra cá por ser inteligente?

— Na verdade não. Vim pra cá porque comecei a fumar e beber, sabe, coisas de adolescente. Mas meu pai é um cara importante da fábrica de pregos da cidade, conseguiu me internar por isso. Mais alguma pergunta?

— Que porra vocês acham que vão fazer no meu quarto?

— Calma lá, Tales! — interrompeu Luan — O quarto também é meu e ela é minha amiga. E olha o respeito. Sem palavrão por aqui!

— Desculpa, donzela delicada. Vamos logo comer antes que o sargento da Clotilde venha buscar a gente, depois a gente resolve sobre essa baderna.

Foi assim que Tales conseguiu mais uma amiga. Ele já estava se sentindo normal, tanto que nem era mais obrigado a frequentar a roda de conversa. Percebeu o psiquiatra olhando para ele enquanto ele conversava com seus novos amigos diversas vezes, mas o velho nunca se aproximou e comentou nada a respeito. Talvez preferisse fazer um diagnóstico a distancia, sem interromper o processo.

Durante esse tempo, o hospital recebeu mais três pacientes. Todos com problemas aparentemente bobos. Pessoas que sabiam conversar muito bem e que conquistaram a atenção e a amizade de Tales. Ele conversava, ria, tinha companhia para os momentos de lazer e nas refeições. Várias vezes chamaram-lhe a atenção durante a noite pelas risadas no quarto. E por várias vezes, Diana precisou se esconder debaixo da cama de um deles quando Clotilde vinha checar se estava tudo em ordem. Fora o problema com horários e os enfermeiros carrancudos, ele quase nem se lembrava mais de onde estava. De fato se sentia melhor. Curado. Com a capacidade de fazer amigos.

Cerca de cinco meses após sua chegada ao hospital, durante uma tarde onde estava ele, Luan, Diana e dois dos novos amigos no quarto brincando com um jogo da sala de lazer, o psiquiatra da clínica foi fazer-lhes uma visita:

— Tales, precisamos conversar sobre seu estado.

Sem tirar os olhos do tabuleiro, ele respondeu:

— Já sei, doutor. Sarei. Estou cheio de amigos, feliz e falante. Quando recebo alta?

— A questão não é bem essa, Tales. É justamente sobre seus amigos que devemos conversar.

Tales então olhou para Luan e perguntou o que ele havia aprontado. O garoto olhou para o doutor, que não parava de encarar Tales, e depois olhou de volta para o amigo, mas não disse nada. O psiquiatra então retomou a palavra:

— Com quem você está falando, Tales?

— Com o Luan, oras. O menino hiperativo. O senhor não está vendo?

— E com quem mais você fez amizade aqui nesses dias?

Tales olhou para o médico com uma expressão confusa, como quem perguntasse se ele era cego ou coisa parecida. Começou a apontar os amigos que estavam presentes no quarto e dizer seus nomes:

— O Luan, a Diana, o Cléber, o Fábio... E a Alessandra que deve tá perdida em algum lugar comendo escondida. O senhor realmente precisa cuidar dessa compulsão dela...

— Não, Tales. Os únicos amigos que você poderia fazer aqui era a Cecília e o Rogério.

— Quem?

— A moça que come as mãos e o bebê gigante.

— O senhor está de brincadeira, né? Quer que eu faça amizade com os únicos pacientes dessa clínica que não sabem conversar?
            
— Não. Quero que você faça amizade com os únicos pacientes dessa clínica.
           
— O quê? — o rapaz deixou o tabuleiro de lado pela primeira vez desde o início da conversa e olhou fixamente para o homem.
            
— Foi o que eu disse. Os únicos pacientes dessa clínica com os quais você tem contato são eles. Luan, Diana e sei lá mais quem não existem.

Tales olhou para os amigos que o encaravam com seriedade. Ele esperava que um deles se manifestasse perguntando pro doutor se ele estava cego por não vê-los ali. Mas ninguém se mexeu. Continuaram encarando Tales com uma expressão fria e sem que ninguém dissesse uma palavra.

— Mas, todos esses dias... Se o senhor está falando a verdade, por que me deixou ser otário e acreditar que eles eram reais?

— Eu precisava analisar seu caso antes de entrar com um tratamento adequado. Ver a gravidade da situação.

Enquanto o psiquiatra ia falando, os amigos de Tales iam desaparecendo. Ele sentiu um nó no estomago. Junto com o nó, veio a sensação de que ele jamais iria se curar.

— Venha. — disse o doutor — Vamos até minha sala para conversar sobre tudo que te aconteceu nos últimos dias. Quero saber sobre seus amigos.

Os dois saíram do quarto, que até então estava cheio de vida e pessoas. Ele ficara vazio e mórbido de uma hora para outra, como qualquer quarto solitário de sanatório. Enquanto caminhavam pelo corredor e o doutor ia falando, Tales percebeu que sua voz ia ficando distante. Cada vez mais distante e incompreensível. Junto com a voz, o próprio doutor começou a ficar desfocado.

Ele foi sumindo.

Sumindo assim como os enfermeiros que estavam por perto, as cadeiras, o balcão, as paredes...

E tudo que sobrou foi Tales em sua casa, em seu quarto, sozinho.

Tales e sua eterna solidão.



Marcela Burghi Zadra, 2013.

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