sábado, 14 de dezembro de 2013

O Terror na Literatura

King e Hill
Poucas coisas despertam tanto meu interesse quanto uma boa história de terror. Pode ser um caso real contado por algum conhecido, uma lenda urbana ou creepypasta, um conto famoso, um romance de 500 páginas, um filme, um jogo... Qualquer coisa mórbida que proponha deixar meus nervos à flor da pele consegue conquistar minha atenção. Tenho certa preferência por espíritos e criaturas sobrenaturais do tipo, mas se a proposta vier com um exorcismo, um psicopata, um monstro, extraterrestres ou qualquer outro tipo de maluquice, pode mandar que será bem recebido.

Na literatura, tive um contato mais intenso com terror há mais ou menos 5 anos. Daquela primeira vez que saí para comprar livros por vontade própria, voltei para casa com dois exemplares do gênero do mesmo autor: um romance e uma coletânea de contos. Dei um tiro no escuro e acabei escolhendo justamente dois livros do Joe Hill, sem fazer a menor ideia de que se tratava de ninguém menos que o filho do Stephen King. E, bem, eu amo livros e amo terror. Juntando os dois, encontrei meu paraíso. Observação: apesar de até aquele momento eu nunca ter lido nada de Stephen King, qualquer pessoa que realmente goste de terror conhece o mestre e assistiu ao menos um filme baseado na obra dele, o que era meu caso quando descobri o parentesco entre ele e Hill.

Esses dias vi a seguinte pergunta em alguma página do facebook: o livro A Estrada da Noite (justamente o primeiro romance que comprei do Joe Hill) dá medo? Meu primeiro impulso foi pensar: "meeeedo não dá, apesar de ser um bom livro". Depois me peguei refletindo a respeito, relembrando a história e como foi lê-la pela primeira vez. Caramba, ele me deu medo sim! Cheguei até a ter pesadelos com o livro, me colocando na pele da personagem principal... por que raios fui responder que não deu medo?

O ponto chave da questão é o seguinte: para conseguirmos aproveitar de verdade uma obra de terror, seja ela um filme ou um livro, é necessário toda uma preparação especial. Quando vemos um filme de terror de dia e na companhia de amigos, acabamos dando risada de quase tudo. Se vermos esse mesmo filme na companhia de amigos, mas durante a noite com todas as luzes apagadas, o clima já muda. Agora, se vermos ainda esse mesmo filme a noite, com o ambiente escuro e sozinhos... aí meu filho, é segurar na mão de Deus e rezar pro telefone não tocar fora de hora e matar a gente do coração.

Em relação a literatura de terror, essa preparação também é necessária. Se lermos um livro no ônibus, na escola, no trabalho (se for movimentado), ou em qualquer lugar onde exista companhia e barulho contínuo, vamos ler como se fosse um conto de fadas qualquer. As primeiras experiências que tive com esse tipo de leitura aconteceram no meu quarto, a noite, quando eu estava sozinha, com tudo em silêncio, antes de dormir. Ou seja: preparação melhor do que essa, só se eu fosse capaz de ler com as luzes apagadas. É claro que eu fiquei apreensiva com a história e qualquer estalo de móveis me gelava a espinha. Claro que, para fazer xixi no meio da leitura, eu atravessava o corredor escuro com aquela sensação de estar sendo seguida e checava debaixo da cama ao voltar pro quarto. Eu não sou criança boba e sou apaixonada por esse tipo de história, mas é isso que a atmosfera certa consegue fazer com a gente. É para causar esse tipo de reação que as histórias de terror existem. 

É claro que devemos levar em conta que existem diferenças na tolerância e preferência entre as pessoas. Mesmo com toda essa preparação, pode ser que o mesmo livro que me fez agir dessa forma não faça absolutamente nada com outras pessoas, assim como posso ficar indiferente com livros que apavoraram terceiros. Fiquei sem dormir direito por três noites depois que assisti O Exorcismo de Emily Rose, já em O Exorcista fiquei com sono justamente quando o exorcismo ia começar e acabei apagando, deixando pra terminar o filme no outro dia. Ninguém pode explicar ou escolher a forma como reage a esse tipo de arte e a cada obra diferente. O negócio é aproveitar e estar sempre buscando conhecer mais, descobrindo aquilo que realmente nos aflige.

Infelizmente ainda tenho uma cota baixa de leitura do gênero. Muitos dos livros que tenho acabam indo mais para o suspense do que para terror; Harlan Coben, por exemplo, escreve suspense policial. De terror macabro, com criaturas de outro mundo ou qualquer coisa racionalmente inexplicável, Hill e King são os principais; aqueles que realmente conseguem fazer minha cabeça. E, apesar de serem pai e filho e trabalharem o mesmo gênero, cada um tem sua essência bem marcada. Assim como King tem Edgar Allan Poe como uma de suas fontes de inspiração e também consegue criar contos totalmente diferentes e originais.

Eu me arrisco escrevendo um conto ou outro de vez em quando (os quais também venho postando por aqui). Mas, no geral, as pessoas que leem o que eu escrevo acabam rindo mais do que se surpreendendo. Apesar dessa minha paixão pelo gênero, acredito que meu dom de escrita (se é que tenho um) está na comédia irônica, não no terror. E quanto mais eu tenho contato com esse tipo de literatura, mais acredito que conseguir despertar o medo e aflição nas pessoas é realmente uma questão de dom. Não é pra qualquer um, não!

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