sábado, 28 de dezembro de 2013

Resenha #08 — Fantasmas do Século XX (Joe Hill)

Fantasmas do Século XX
Título original: 20th Century Ghosts
Autor: Joe Hill
Editora: Arqueiro
Páginas: 285

"Fantasmas do Século XX é muito mais do que um livro — é uma experiência sensorial assustadora e atraente.

Com um texto ágil, ácido, repleto de referências culturais, este livro tem o poder de suscitar sentimentos opostos, fazendo com que o leitor fique ao mesmo tempo aterrorizado com o rumo da história e empolgado com o ritmo da narrativa.

Profundos, tocantes e perturbadores, os contos reunidos nesta coletânea permanecem vivos na mente do leitor até muito tempo depois de ele fechar o livro."



Criei coragem e vou falar sobre Joe Hill, o príncipe da literatura de horror — afinal, o cara é filho de Stephen King. King... Entendeu? Bom, piada sem graça à parte, realmente Hill merece um ótimo título por sua escrita. Já falei um pouco sobre ele no post O Terror na Literatura, mas retomando, comprei os primeiros livros dele sem fazer a menor ideia de quem ele era. Aliás, ele começou suas publicações sem fazer menção a seu parentesco com King justamente para evitar comparações e comentários do tipo "ele conseguiu publicar um trabalho por ser filho do King". Mas é claro que isso não ficaria em segredo por muito tempo.

Eu sou apaixonada pelo trabalho do King. Confesso que ainda não tive o prazer de ler muitas de suas obras, mas as que li devorei em pouquíssimo tempo. Porém, Hill consegue me encantar com mais facilidade. King me conquista pela habilidade na escrita e pelas ideias mirabolantes, sendo uma ótima distração para meus momentos de ócio. Já Hill consegue ir mais fundo; ele conseguiu atingir meu emocional. Digo isso baseada em tudo que já li dele, mas vamos ao livro em questão no momento.

Fantasmas do Século XX cumpriu a promessa impressa em seu verso. Esses contos de fato ficaram na minha mente por muito tempo... Fazem uns cinco anos que o li pela primeira vez, e ainda fico arrepiada de lembrar algumas histórias, assim como também posso garantir a promessa sobre sentimentos opostos. Ao todo são 15 contos, então vou comentar um pouco sobre aqueles que se destacaram para mim:

Fantasma do século XX (sim, singular... o título do livro está do plural, mas o título do conto está no singular), inspiração para o título da coletânea, é um conto sobrenatural e encantador. Um garoto foi ao cinema quando tinha 15 anos e se apaixonou por uma menina que conversou com ele durante a sessão... mas a menina era um fantasma. Embora assustado por um tempo, ele acabou passando a vida naquele cinema (como funcionário, depois como dono), querendo estar sempre perto do seu verdadeiro amor.

Os meninos de Abraham é inspirado em Van Helsing, o caçador de monstros. Conta como seus dois filhos descobriram qual era a verdadeira profissão do pai... e outras coisinhas mais. Surpreendente!

Encurralado conta a história de Wyatt, um cara qualquer que, por uma infelicidade do destino, se viu em uma situação onde ele poderia ser herói e ajudar uma mulher e seus filhos que sofreram um acidente/atentado. Mas sabemos que contos de terror nem sempre (ou quase nunca) trazem um final feliz. Durante a leitura desse conto, meu celular tocando quase foi responsável por um pequeno infarto.

A máscara do meu pai é um conto perturbador. Não sei se entendi direito... e nem sei se quero entender. Foi o campeão em ocupar meus pensamentos depois da leitura.

EDITADO: depois que esse post já estava pronto, participei de algumas conversas sobre o livro no facebook e fui apresentada à uma concepção desse conto (A máscara do meu pai) que acabou saciando minha falta de compreensão. Talvez ele represente o divórcio dos pais de um garoto, no caso, o protagonista. Pode parecer algo simples para ter me perturbado tanto, mas como foi explicado pela moça que teve essa visão, o título do livro é "Fantasmas do Século XX", e essa é uma das situações desagradáveis que fazem parte do nosso mundo atual. E depois, a partir de reflexões minhas, constatei que, de fato, a separação dos pais muitas vezes se torna um pesadelo para os filhos, explicando a atmosfera sombria do conto. Cheguei a ficar ainda mais impressionada com a habilidade do autor em nos deixar perturbados com uma situação tão corriqueira que foge totalmente do sobrenatural.

Esses que mencionei são de terror ou pelo menos contém elementos que nos deixam apreensivos, mas nem todos são assim. Alguns são simplesmente doces e interessantes, como Pop Art que conta sobre a vida de um garoto inflável (ok, um garoto inflável vivo é um elemento sobrenatural, mas a história é bem suave) e Bobby Conroy volta dos mortos que, apesar do título, traz o reencontro de antigos namoradinhos de colégio em um estúdio de filme de terror.

Sei que sou super suspeita para falar sobre contos do gênero, pois gosto até de contos bobos estilo lendas urbanas. Mas essa coletânea é uma opção de excelente qualidade, até mesmo para aqueles mais exigentes. Joe Hill é demais!

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