quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Resenha #02 — Questões do Coração (Emily Giffin)

Questões do Coração
Título original: Heart of the Matter
Autor: Emily Giffin
Editora: Novo Conceito
Páginas: 432

"Tessa Russo é mãe de dois filhos e esposa de um renomado cirurgião pediátrico. Apesar de todos os seus receios, ela recentemente abandonou sua carreira para se concentrar em sua família, na busca pela felicidade doméstica. Por fora, parece destinada a viver uma vida encantada.

Valerie Anderson é uma advogada e mãe solteira de um garotinho de seis anos, Charlie, que nunca conheceu o pai. Depois de muitas decepções, desistiu do amor e até mesmo das amizades, acreditando que é sempre mais seguro não criar muitas expectativas.

Embora as duas vivam na mesma área de Boston, elas têm pouco em comum, com exceção do amor incondicional por seus filhos. Em uma noite, um trágico acidente faz suas vidas cruzarem-se de maneira inimaginável."

Esse foi o primeiro livro que li onde as personagens principais estão em lados opostos... e ambas são protagonistas. Cada capítulo é narrado em primeira pessoa por uma delas, alternadamente.

Charlie, o filho de Valerie, sofre um acidente e vai parar nas mãos do Dr. Nick, marido de Tessa. A situação do menino acaba sendo tão envolvente que Nick e Valerie acabam tendo um caso. Não é exatamente um caso, e sim uma energia/atração regada a alguns poucos encontros.

Se formos levar apenas isso em consideração, aquela área moralista de nosso cérebro logo nos incentivaria a enxergar Tessa como a vítima e Valerie como a vagabunda que está tendo um caso com o médico casado do filho. Claro, porque sempre as mulheres são julgadas; raramente os homens são vistos como os verdadeiros culpados em situações semelhantes.

Porém, pela forma como a autora narra a história, nós temos contato pessoal com ambas. Nós sabemos o que Tessa sofre pelo marido ausente que trabalha demais e por descobrir que ele a está traindo. Mas também sabemos como Valerie se sente derrotada por não ter sorte no amor, criando seu filho praticamente sozinha e se vendo sozinha naquela situação tão pesada, onde ela mais precisaria do apoio de alguém que a amasse e amasse seu filho; ela estava carente e debilitada emocionalmente pelo acidente de Charlie. O médico demonstrou um carinho paterno que o garoto nunca teve. E aí, quem está errado? Nick? É justo também colocarmos a culpa toda em cima dele?

Emily Giffin consegue narrar conflitos reais do nosso cotidiano de maneira profunda e realista. Na vida real não existe mocinho e vilão; protagonista e antagonista. O que existem são problemas de relacionamento onde se é possível ter várias visões do caso; cada lado tem sua razão, seus motivos, seus sentimentos. E qual seria o final feliz ideal para essa situação? Nick deixar de ver Valerie e valorizar sua família, pedindo o perdão de Tessa e fazendo com que ela tenha seu feliz para sempre? Nesse caso, Valerie seria abandonada mais uma vez, tendo ainda mais certeza de que não tem sorte no amor e que Charlie jamais terá um pai. E se Nick termina com Tessa e aceita ser o marido e o pai que Valerie sempre quis ao seu lado? Aí é Tessa quem tem seu mundo desmoronado e perde o final feliz.

E assim é a vida.

Me peguei com os olhos cheios de lágrimas por algumas vezes durante a leitura, e não sou uma pessoa que chora fácil com filmes e livros. É possível sentirmos de maneira realmente intensa aquilo que a personagem sente. A gente consegue se envolver de verdade na história! 

Graças a esse livro Emily Giffin ganhou mais uma fã. Já tenho cinco livros da autora — sendo Questões do Coração e Laços Inseparáveis os meus favoritos — e pretendo estar sempre atualizando a coleção.

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