terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Resenha #10 — Como Eu Era Antes de Você (Jojo Moyes)

Como Eu era antes de Você
Título original: Me Before You
Autor: Jojo Moyes
Editora: Intrínseca
Páginas: 318

"Aos 26 anos, Louisa Clark não tem muitas ambições. Ela mora com os pais, a irmã mãe solteira, o sobrinho pequeno e um avô que precisa de cuidados constantes desde que sofreu um derrame. Além disso, trabalha como garçonete num café, um emprego que ela adora e que, apesar de não pagar muito, ajuda nas despesas. E namora Patrick, um triatleta que não parece interessado nela. Não que ela se importe.

Quando o café fecha as portas, Lou se vê obrigada a procurar outro emprego. Sem muitas qualificações, a ex-garçonete consegue trabalho como cuidadora de um tetraplégico. Will Traynor, de 35 anos, é inteligente, rico e mal-humorado. Preso a uma cadeira de rodas depois de um acidente de moto, o antes ativo e esportivo Will desconta toda a sua amargura em quem estiver por perto e planeja dar um fim ao seu sofrimento. O que Will não sabe é que Lou está prestes a trazer cor a sua vida. E nenhum dos dois desconfia de que irá mudar para sempre a história um do outro."


Prevejo uma ressaca literária. Acabei de terminar a leitura e precisei vir logo escrever a respeito. Muitas pessoas andam comparando Como Eu Era Antes de Você com A Culpa é das Estrelas, acredito que por ambos tratarem de assuntos tão delicados, fazendo muitos leitores chorarem. Eu gostei dos dois, mas Como Eu Era Antes de Você ganhou destaque. Não apenas quando comparado aos romances que já li, mas sim comparado a todos os livros que já li até hoje. Ele contém uma singularidade genial; é uma obra de extrema sensibilidade, sem ser algo dramático e meloso.

Após Lou conhecer Will, a história ocorre com certo humor ácido/negro. Fiquei dividida entre achar graça da troca de grosserias entre os dois e ficar triste, me colocando na condição dele e imaginando o quanto eu seria ainda mais cretina do que ele. Sendo eu uma pessoa que fica de mau humor e distribui patadas por um problema corriqueiro, nem consegui me imaginar nas condições em que Will se encontrava. Especialmente levando em conta que ninguém está livre de se ver assim amanhã.

Ao descobrir os planos do Will e entender o porquê de ter sido contratada sem nenhuma experiência como cuidadora, Lou fica assustada e revoltada, mas depois se agarra a sua missão com unhas e dentes. Que grande responsabilidade para uma moça que passou a vida toda andando nos mesmos quarteirões da cidadezinha onde nasceu e trabalhando em um café!

Aos poucos os dois vão se tornando grandes amigos. Com a ajuda de Nathan (o enfermeiro de Will), Lou aprende todos os cuidados necessários para lidar com o rapaz e passa a apreciar a companhia dele mais do que a de qualquer outra pessoa, inclusive do próprio namorado que se preocupa mais com seus treinos do que com qualquer outra coisa.

- Próximas linhas Contém Spoiler!

Como parte do plano de fazer Will feliz vendo que é capaz de se aventurar por aí, Lou começou a planejar uma viagem maravilhosa, com paraquedas, bungee jump etc. Nesse momento fiquei um tanto revoltada com a história e pensei: "Com dinheiro é fácil! E com pessoas normais, qual seria a estratégia que ela usaria?". Depois percebi que, de certa forma, até isso fez parte da lição do livro. O dinheiro pode até ajudar em algumas situações, mas não é capaz de comprar de fato a felicidade de ninguém.

Entre todos os acontecimentos do livro, no final percebi que, quando lemos a sinopse e o título, acreditamos que Lou seria a responsável por mudar a vida de Will em sua nova condição, mas o que acontece é que Will muda a vida de Lou.

O tema é muito polêmico e me fez refletir demais. Uma pessoa realmente tem direito de escolher morrer? Isso não parece um tanto egoísta com aqueles que a amam? Mas e o sofrimento da própria pessoa, não conta? Essas pessoas que a amam também não estão sendo egoístas pensando apenas na saudade, sem levar em conta o tipo de vida sofrida que a pessoa está levando?

Revoltante e encantador. É apenas minha terceira leitura de 2014 e já posso afirmar que, sem dúvidas, será uma das melhores do ano.

Bônus:

"— Muito bem — falei, soltando meu cinto de segurança. — Melhor entrarmos. A rotina da noite nos aguarda.
— Espere um instante, Clark.
Virei-me. O rosto de Will estava no escuro, não consegui vê-lo direito.
— Espere um instante. Só um minuto.
— Está se sentindo bem? — Olhei para a cadeira dele, com medo de estar esmagado ou preso em alguma parte, ou de eu ter feito alguma coisa errada.
— Estou ótimo. É que...
Podia ver o colarinho claro da camisa em contraste com o terno escuro.
— Não quero entrar agora. Quero ficar sentado aqui e pensar que... — Engoliu em seco.
Mesmo no escuro, pareceu fazer esforço.
— Quero... ser apenas um homem que foi a um concerto com uma garota de vestido vermelho. Só por mais alguns minutos.
Larguei a maçaneta da porta.
— Claro.
Fechei os olhos, apoiei a cabeça no encosto da cadeira e ficamos ali mais um pouco, duas pessoas perdidas nas lembranças sonoras, meio ocultas à sombra de um castelo numa colina iluminada pela lua."

(página 149)


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