domingo, 26 de janeiro de 2014

Resenha #11 — Louca Por Homem (Claudia Tajes)

Louca Por Homem
Autor: Claudia Tajes
Literatura Brasileira
Editora: Agir
Páginas: 117

"Acho que começou na sétima série, quando me apaixonei por um canhoto e não tive descanso enquanto não escrevi perfeitamente com a mão esquerda. Ou então foi antes, lá pelos meus oito anos, no instante em que percebi que um vizinho mais velho só usava roupas vermelhas. Foi o que bastou para eu ter longas crises de choro cada vez que minha mãe me ameaçava com um vestido cor de rosa, verde ou amarelo. Poderia voltar ainda mais, aos meus cinco anos, no exato momento em que ouvi meu pai dizer que carne boa era carne com osso. O que me fez passar os trinta anos seguintes dividindo costelas gordas com ele, na tentativa de reforçar os laços de afetos entre nós dois.
Pequenas coisas que fizeram de mim a pessoa que sou hoje. Uma canhota que só veste vermelho, come chuleta todos os dias e pode ser outra amanhã."


Sabe aqueles livros onde não encontramos grandes conflitos, emoções ou dramas, mas a leitura nos prende até o final justamente por esse realismo e suas semelhanças com nossa vida real? Louca por Homem se encaixa perfeitamente nessa categoria, sendo uma leitura leve e bem humorada para ser concluída em algumas horas.

Graça, a protagonista, é uma mulher inteligente e bem ajustada... mas é extremamente insegura quanto se trata de relacionamentos amorosos — o que parece acontecer desde sua infância. Ela vem nos contando sobre esses relacionamentos e as loucuras e mudanças que fez para tentar se aproximar dos caras dividindo-os por capítulos. Como exemplo posso citar o judeu ortodoxo, o higiênico (ou paranoico), o fumante, o taradão e o esportista. Nem todos foram namorados de Graça. Alguns, como o poeta por exemplo, foi apenas um interesse momentâneo que a fez começar ler e escrever poesias para tentar impressioná-lo... o que acabou nem dando certo porque ela era apenas mais uma entre tantas fãs do rapaz. Na verdade bastava ela simpatizar com algum homem para percebermos mudanças em suas atitudes e até na aparência. Todos eles influenciavam seu comportamento. Sem exceção.

É claro que, como já podemos esperar, uma hora ou outra Graça via que aquela situação não daria certo. Até mesmo chegou a se casar e ter um filho, mas nem esse marido foi sua companhia da vida inteira. Talvez podemos tirar disso a lição de que não funciona forçarmos ser o que não somos. Pelo menos não vai funcionar por muito tempo.

Por outro lado, todos esses relacionamentos ajudaram na construção da personalidade de Graça. Tudo que ela aprendeu com cada um desses homens acabou por deixar alguma marca permanente, como o higiênico que a ensinou comprar diferentes loções e shampoos para uma banho profundo, e o simples que a ensinou abandonar o consumismo.

Eu não conhecia a autora, mas sei que ela já publicou outras obras do mesmo gênero e pretendo ler outras. Louca por Homem pode não agregar muito mais do que diversão, mas é uma leitura gostosa e rápida, capaz de alegrar o dia de muita gente.

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