domingo, 13 de abril de 2014

As Terras de Grigorii - capítulo 01

Capítulo 02
Capítulo 03
Capítulo 04
Capítulo 05
Capítulo 06
Capítulo 07
Capítulo 08
Capítulo 09
Capítulo 10

Domingo no Parque

Dante, Judite e Valentina moravam com seus pais em uma cidade bem pequena. Durante a primavera, quando o tempo não estava frio e o sol também não costumava estar muito forte, todo domingo os três irmãos iam até um parque que ficava localizado pelos arredores daquela cidadezinha. Como era uma cidade pequena e todos se conheciam, os pais das crianças não se preocupavam em deixar que fossem sozinhas. E Dante já não era bem uma criança: acabara de completar dezessete anos e podia muito bem cuidar das irmãs, Judite com quinze e Valentina, a caçula, com nove.
Naquela semana não foi diferente. Tiveram um almoço delicioso e, logo após a sobremesa, assim que Dante deitou na rede da varanda, Valentina pediu para o irmão que fossem até o parque. O rapaz, por já ser quase um homem bem crescido, não tinha mais tanta vontade de ficar passeando com as irmãs naquele lugar como costumavam fazer com a avó desde antes de Valentina nascer.
— Você não acha que já pode ir sozinha com a Judite? É só vocês não voltarem a noite. — respondeu o rapaz com muita preguiça na voz.
— Mas sem você não tem graça, é você que pega jabuticaba pra mim. A Judite é baixinha, não vai alcançar.
— É só vocês levarem um banquinho…
— Mas ela não me aguenta no ombro. — choramingou a menina.
— Hoje você fica sem ombro. E a senhorita também está ficando grande demais pra isso, minhas costas doem.
Valentina encheu os olhos de lágrimas e ficou encarando o irmão em silêncio, utilizando uma tática de chantagem emocional que quase sempre funcionava com ele. O rapaz, que estava com os olhos fechados durante toda a conversa, percebeu que a irmã ficou em silêncio e abriu um deles.
          — É brincadeira, baixinha. Te aguento no ombro por mais uns 5 anos se você não crescer muito. Mas me deixa cochilar agora, vai…
          — Ah, por favor, vamos... Logo chega o verão e a mamãe não vai mais deixar a gente ir lá assim. E tem mais uma coisa…
            — Hum? — resmungou Dante, novamente com os olhos fechados fingindo grande sonolência.
          — Não seria a mesma coisa sem você. Você me faz rir o tempo todo, a gente corre um monte, gosto de você até quando fica bravo comigo. É você que sempre cuida de mim...
            Valentina foi tão doce em suas palavras que Dante não teve resposta. Apenas respirou fundo e aceitou a proposta, fazendo a pequena dar pequenos pulos de alegria.
            — Mas para a próxima primavera eu não prometo nada, viu?

            Aquele parque era lindo! Com bosques, um rio com uma pequena cachoeira e vários peixinhos coloridos, muitas árvores frutíferas, flores de várias espécies, alguns balanços entre as árvores e muitos pássaros. Os habitantes da cidade faziam de tudo para manter aquele lugar intacto, onde todos eles haviam crescido brincando. Eles queriam dar essa mesma oportunidade para seus filhos e netos, pelo máximo de tempo possível, evitando que qualquer obra fosse realizada ali.
            Valentina tinha seu balanço favorito, justamente o que ficava embaixo na jabuticabeira. Correram logo para aquele lugar. Judite estava com um livro e sentou ali perto para ler à sombra de uma outra árvore. Dante levou Valentina para pegar suas jabuticabas e depois ficou correndo com a irmã para todos os lados, procurando bichinhos e brincando de pegar. Embora ele reclamasse um pouco da energia da pequena e de ter de acompanhá-la, no fundo ficava muito feliz participando daquela brincadeira toda, também se sentindo como uma criança.
            Após um longo tempo de correria, Dante e Valentina decidiram voltam para onde Judite havia sentado com a intenção de chamar a irmã para irem até a cachoeira, mas se depararam com a jovem tirando um cochilo com o livro apoiado no rosto.
            — Vamos acordá-la! — disse a pequena.
          — Melhor não… — aconselhou o rapaz. — Você sabe como ela fica chata quando fazemos isso. Eu tenho uma ideia melhor: vamos deitar e tirar um cochilo também.
            — Ah, Dante… Mas eu quero brincar!
           — Meu Deus, Valentina! Você não cansa nunca? Suas bochechas estão vermelhas de tanto que você já correu, e eu também estou morto! Vamos descansar um pouco, prometo que a gente passa na cachoeira antes de ir embora.
            A menina não ficou muito satisfeita, mas cedeu. Os dois deitaram perto de Judite e sem demora caíram em um sono gostoso, embalado pelo canto dos pássaros.

3 comentários:

  1. ainda nao li por completo!
    da onde vc tira tudo isso?!!!
    muuuuito bom :)

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    1. Esse aí eu me inspirei nas Crônicas de Nárnia pra escrever, mas no geral minha criatividade não é das melhores, viu... tenho muito o que treinar ainda hahaha obrigada, espero que goste se terminar a leitura! :)

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    2. hahahaha sempre podemos melhorar, mas pra mim esta bem criativa :) rsrs
      é bom escrever !!!! 'limpa' a alma!

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