domingo, 13 de abril de 2014

As Terras de Grigorii - capítulo 03


            A vegetação daquelas Terras era de um verde fresco e encantador. Quantas borboletas! Muitas flores podiam ser encontradas pelo caminho, assim como inúmeras árvores frutíferas; muito mais do que aquele parque perto de casa jamais teria! Lá encontraram frutas que as crianças nem imaginavam que existia, e muitas delas foram provadas com a autorização de Naomo, o goblin que o pica pau havia chamado para acompanhar as crianças e apresentar-lhes aquele novo mundo.
            Goblins são pequenas criaturas verdes e humanóides, semelhantes a duendes; costumam ser arteiros e, em algumas situações, malvados. Ao leste das Terras de Grigorii, além da fronteira, existe um lugar onde ninguém deve ir. Lá é para onde as criaturas más foram banidas quando começaram a arrumar problemas: bruxas, trolls, ogros e, entre outras, os goblins.
Mas não Naomo. Naomo cresceu com os duendes e nunca conseguiu fazer maldades. Quando houve essa divisão de terras, Grigorii, o guardião, permitiu que Naomo permanecesse do lado de cá da fronteira, já que sempre fora uma criatura dócil e solidária. Foi adotado pelos duendes e vive feliz, por vezes até se esquecendo de seu tom esverdeado.
— E o senhor não sente falta da sua família? —  perguntou Valentina a Naomo após ele contar a história das criaturas da fronteira leste enquanto provavam mais uma fruta diferente.
— Ah, criança… Como eu disse, cresci com os duendes porque não me sentia parte real daquela família de goblins. Na verdade meu nome de nascença não é Naomo; esse nome os duendes me deram depois dessa divisão. Escolherem esse por combinar com minha personalidade: gosto de proteger os seres vivos e dizem que sou muito gentil.
— Eu gostaria de conhecer os duendes também…  — falou Dante com a boca cheia, sendo reprimido por Judite por seus modos.
Naomo riu da atitude de Judite e prometeu que, após o dia de exploração, levaria os novos amigos até sua casa para um jantar decente junto aos duendes. Frutas são deliciosas, mas um ser humano pode precisar se um sustento maior para aguentar as caminhadas por todo aquele lugar.
— Jantar? Não! Precisamos voltar para casa antes do anoitecer. Imagina se não aparecemos… mamãe ficaria louca! — disse Judite.
— Vou contar um segredo para vocês... — sussurrou Naomo. — A pedra Gonalda, responsável por trazer pessoas do seu mundo para cá, funciona assim: quando ela trabalha, ou seja, quando ela escolhe alguém para trazer até aqui, o tempo do outro lado fica parado, pelo menos para os viajantes… Não digo que estão todos congelados como na história da Bela Adormecida; a vida continua normal. Mas quando voltarem, será como se nenhum segundo tivesse passado. Entendem?
            — E como você sabe disso? Já vieram outros humanos para cá? — perguntou Valentina.
            — Sim. Eu tenho… tinha… uma amiga humana.
            — Tinha? O que aconteceu com ela? Ah, já sei… Voltou para casa e nunca mais apareceu aqui?
            — Na verdade ela vive aqui.
            Os três irmão se espantaram com aquela descoberta. Valentina continuou com as perguntas.
            — Mas nós podemos viver aqui se quisermos?
            — Poder não pode, aqui é um lugar bem receptivo quando recebemos visitas, mas a população residente precisa ser bem controlada para manter nosso equilíbrio e paz. Ela foi um caso especial, mas não vamos entrar em grandes detalhes. O fato é que nós nos afastamos. De uns tempos pra cá, ela…
            Nesse momento a conversa foi interrompida por uma linda canção que chegou até eles com o vento. Os quatro pararam para prestar atenção, e o pequeno goblin abriu um grande sorriso.
            — É agora! Elas apareceram para cantar!
            — Elas quem? — perguntou Judite.
            — As sereias!

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