domingo, 13 de abril de 2014

As Terras de Grigorii - capítulo 07


O Dragão e a História de Zaira

Seguindo as instruções dos duendes, Judite e Valentina conseguiram encontrar a misteriosa caverna de Grigorii. Elas estavam um tanto assustadas e receosas — nunca sabemos o que esperar de um guardião. E se ele pensasse que elas eram invasoras hostis? Mas antes de qualquer medo, a vontade de buscar uma forma de recuperar Dante era maior do que tudo, plantando coragem e determinação no coração das meninas.
Embora tenham saído do chalé logo após o café da manhã, a caverna era tão longe que o sol já estava se pondo. As grandes sombras das árvores por perto da entrada da caverna deixava o lugar um tanto escuro e bem assustador. Já era possível ouvir o canto das corujas, e por um minuto Valentina se perguntou se as corujas também sabiam falar.
— Chegamos. Devemos chamar ou entrar? — perguntou Judite para a irmã, tentando manter a voz firme e não demonstrar para a pequena o quanto estava nervosa com aquela situação.
— Chamar? E se ele estiver dormindo e não ouvir a gente? Ou ainda, se ele estiver dormindo, ouvir a gente e ficar bem bravo porque o acordamos? Vamos espiar com cuidado.
Mal terminou de falar e a garota já ultrapassara a irmã mais velha e avançava em direção à abertura da caverna. Judite seguiu a caçula e se agarrou ao laço desfeito do vestido de Valentina, que pendia em suas costas.
Quando adentraram a caverna, todos os sons de fora — corujas, grilos e folhas ao vento — foram abafados. O silêncio era quase sufocante. Esperaram um pouco até que seus olhos se acostumassem com a escuridão, pois tudo o que menos queriam naquele momento era tropeçar em um poderoso guardião adormecido. Após conseguirem distinguir entre espaços vazios e paredes da caverna, arriscaram alguns passos adentro. Tudo estava indo bem, até que Valentina, que se mantinha à frente, soltou um espirro.
Foi um atchim poderoso! Caso não se lembrem, uma caverna, normalmente, produz eco.
Em questão de segundos um enorme dragão surgiu do fundo da caverna com os olhos faiscando e fumaça saindo de suas narinas. Se fosse um leão essa chegada teria sido acompanhada de um rugido feroz, mas se o fizesse, Grigorii teria transformado as pobres crianças em churrasco.
Judite gritou e quis correr para fora, tentando puxar a irmã pelo laço desfeito de seu vestido. Valentina, por outro lado, se manteve no mesmo lugar, estática, quase sem notar os puxões que Judite lhe dava. Não saberíamos dizer se ela estava em pânico ou tomada por um encantamento sublime. Sua cabeça estava levantada e sua boca estava aberta, com os olhos fixos em Grigorii. Esse, por sua vez, soltou mais uma rajada de fumaça em uma bufada agressiva e abaixou o pescoço, deixando a cabeça na altura da pequena menina que o encarava, a encarando de volta. Judite, que estava em desespero e não conseguira puxar a irmã para fora daquele lugar, se encontrava sentada no chão, atrás de Valentina, pedindo em sussurros para que fossem embora dali.
Valentina e Grigorii ficaram se encarando por um tempo, até que o dragão se afastou e, em questão de segundos, havia se transformado em um senhor baixinho, barrigudo e levemente careca no topo da cabeça, vestindo algo que parecia com aquelas roupas gregas, mas feita de algo que parecia couro.
— Veja só se não são as meninas humanas que tenho em minha residência… Sejam bem vindas, e me desculpem por meus modos na recepção. Você já pode levantar e respirar, bela jovem. — disse o senhor baixinho, ou Grigorii, para Judite.
Judite olhou para Valentina, que nesse momento estava sorrindo e estendendo-lhe a mão. A jovem aceitou a ajuda da irmã, se pôs de pé e deu uma leve batida no vestido para tirar a areia.
— O senhor é o guardião Grigorii? — perguntou Valentina com a doçura natural de uma criança de nove anos.
— Sim, minha querida. E vocês, posso supor, são Judite e Valentina. Irmãs de Dante, o garoto que foi pego por Zaira.
— Como o senhor sabe? — a voz de Judite ainda estava um tanto falha pelo susto, mas foi possível entendê-la.
— Stuart já passou por aqui e me deixou ciente dos últimos acontecimentos. A andorinha, meu mensageiro. Eu estava esperando por vocês. A recepção hostil ocorreu por conta de uma soneca que decidi tirar e acabei sonhando com trolls. Me desculpem mais uma vez.
— Eu disse que ele poderia estar dormindo… — comentou Valentina.
— Bem, como já sei o que trouxe vocês até aqui, agora preciso contar-lhes uma história. É provável que vocês não saibam muito sobre Zaira e não estejam entendendo o que aconteceu ao irmão de vocês, correto?
— Sim. Quando nós a conhecemos, ela foi muito simpática comigo e com a Judite, até nos ensinou a dançar. Mas depois ela acabou levando Dante embora, e ninguém nos explicou o motivo…
— Compreendo. Sentem-se crianças, pois a história é um tanto longa.
“Há muito, muito tempo atrás — mas não tanto quanto é de existência desse velho dragão que vos fala —, Zaira, assim como vocês, encontrou uma passagem secreta para nosso mundo. Ela era uma jovem doce, mas que sofria terríveis perseguições no mundo de vocês por viver como uma cigana. Seu acampamento fora incendiado por esses bárbaros. No fogo, ela perdeu seus pais e um irmão pequeno.
            “Tomada pela dor da perda e pelo medo de ser caçada, ela se embrenhou em uma mata e, não me perguntem onde e nem como, veio parar em minhas terras. Graças ao equilíbrio de nossa natureza, Zaira encontrou segurança por aqui. Não sei por quais aventuras passou antes de vir até mim e nem quem lhe contou a meu respeito — assim como não sei quem contou a vocês —, mas o fato é que ela veio até aqui com um pedido. Pediu para que eu a autorizasse buscar seu companheiro, cigano Vladimir, e que eles pudessem viver aqui por quanto tempo a natureza permitisse que vivessem. A princípio fiquei um tanto receoso, nunca tivemos humanos aqui por muito tempo e, tal como a lenda de Adão e Eva, essa praga poderia se espalhar e nosso mundo estaria perdido assim como o de vocês, com o perdão da sinceridade. Mas aqueles olhos doces acabaram por me convencer… E agora, jovens meninas, ela acabou por arranjar problemas.  
— Mas não vimos e nem ouvimos falar sobre qualquer cigano Vladimir… Ela não nos disse nada quando fingiu ser uma boa pessoa. — observou a pequena Valentina. — O que aconteceu com ele?
            — Eu ia chegar lá. Pouco tempo depois que eles vieram para ficar, houve uma pequena guerra. O mundo foi invadido por ogros e trolls, criaturas selvagens que vivem do outro lado da fronteira oeste. Instigados por uma bruxa insatisfeita com seu espaço, formaram um exército determinado a conquistar minhas terras. E, vejam bem, o plano não deu certo, mas muitos dos meus saíram feridos e mortos dessa história.
            — Como o cigano…
            — Exatamente. — confirmou o dragão, com um traço de tristeza no olhar.
            — Foi por isso que Zaira ficou má?
           — Mas ela não é má. Oh, não! Tudo que ela quer é conseguir seu amado de volta. Quando lhes autorizei permanecer em minhas terras pelo tempo que a natureza permitisse que eles vivessem, de certa forma estava enfeitiçando-os. Infelizmente, comigo é assim… Tudo que desejo ou autorizo vira feitiço, e esse pode vir carregado de efeitos colaterais, como aconteceu com a pobre cigana. Por isso preciso tomar muito cuidado com minhas palavras e preciso filtrar melhor os desejos que concedo.
            “Se um ser vivo pode viver o tempo permitido pela natureza, entende-se que ele morrerá de velhice. Foi isso que permiti aos dois: que ambos vivessem juntos por suas vidas completas e, para que um não sofresse de solidão sem o outro, morreriam juntos de velhice. Com a guerra, a morte de Vladimir tirou tudo do lugar. Sem a companhia dele, Zaira não envelheceu mais porque não teria como minha magia se concretizar.
            — Mas, espere um minuto… — interrompeu Valentina, reflexiva. — Se o Vladimir morreu na guerra, ele morreu de morte matada, certo? Zaira não poderia morrer assim também? Quer dizer, ela não tem companhia para morrer de morte morrida, mas de morte matada ela também pode!
        — Não entendo o que está tentando dizer, pequena jovem. — respondeu Grigorii, um tanto confuso.
            — Ela já pensou em pedir para alguém matá-la? Ou ela mesma se matar?
            — Esse é um pensamento inteligente, apesar de um tanto mórbido. Em minhas Terras o suicídio não é permitido. De nenhum tipo. Se ela tentasse se afogar, por exemplo, iria desmaiar durante a tentativa e acordar sã e salva na pequena praia. As águas a devolveriam viva. E tampouco nossas criaturas matariam umas as outras. Essa foi a última guerra que ocorreu por aqui, e desde então esses seres do submundo se mantém em seus devidos lugares.
            — Entendo...
            — Mas o senhor não pode fazer nada para ajudá-la? — Judite se manifestou pela primeira vez desde que Grigorii começara contar a história de Zaira. — Seja permitindo que ela morra ou trazendo Vladimir de volta. Até onde sei, seu poder é supremo por aqui, então talvez...
            — Não, bela Judite. A princípio, não posso ressuscitar os mortos. Curo vivos gravemente feridos, mas só. E posso até ser o ser mais poderoso desse lugar, e justamente por isso, não posso resolver problemas causados por mim mesmo. Não posso voltar atrás em pedidos concedidos, apenas posso conceder alguns novos. E esse acúmulo pode causar uma desgraça ainda maior.
            “Após viver anos nesse desespero, sem saber o que fazer e como proceder, Zaira voltou até minha caverna para um novo pedido. Ela sabia que eu não poderia torná-la mortal, então me pediu que tornasse possível a volta de Vladimir. Eu respondi que não poderia ressuscitar os mortos, e então ela implorou por opções. Não me orgulho do que fiz. Como eu disse, reconheço que ainda preciso pensar melhor sobre minhas palavras e minhas permissões. Acabei concedendo a ela um novo desejo. Um desejo regado de magia negra. Vocês sabem o que é magia negra?
            — Magia do mal? — perguntou Valentina.
         — Podemos dizer que sim… Quem costuma utilizar esse tipo de magia são as bruxas da fronteira oeste. Justamente as mesmas criaturas que instigaram o início daquela guerra. O que fiz… Como já disse, não me orgulho… Mas eu tive muita pena de Zaira. Lancei o feitiço de que, caso algum outro jovem um dia entrasse em nossa terra assim como ela entrou, ela teria de conquistá-lo e realizar um ritual. Após esse ritual, Vladimir ocuparia o corpo desse jovem, que a princípio continuaria com a aparência original, mas dia a dia se transformaria, se tornando o Vladimir por completo.
         Nesse momento, as duas meninas compreenderam o grande risco que Dante corria. Zaira já havia o conquistado; conquistado a ponto de fazer com que ele abandonasse as duas irmãs e sumisse com ela pelas matas misteriosas das Terras de Grigorii. Mas e aquele ritual, será que ela já o começara? Quanto tempo teriam para salvar o irmão? Se é que isso fosse possível... Valentina se pôs a chorar enquanto Judite, abraçando a pequena irmã, implorou pela ajuda de Grigorii.
            — Nós sabemos que o senhor não pode desfazer um encanto lançado, mas existe alguma chance de conseguirmos salvar Dante? Por favor, nos ajude!
       Grigorii abaixou o olhar enquanto balançava a cabeça com as sobrancelhas arqueadas, em lamento. A irmã mais velha já começara a chorar também quando algo veio à mente do velho dragão mago.
            — Não posso reverter nada, mas posso criar outro encanto.
            — O senhor não acha que já causou problemas demais com esses encantos? — de repente uma voz fina e estridente soou de um canto escuro da caverna. Os três olharam naquela direção e viram surgir um camundongo cor de caramelo com cerca de vinte centímetros de comprimento. Um tanto grande para um camundongo, mas ainda assim um camundongo. E ai de quem se atrevesse a chamá-lo de ratazana!
            — Rufus! Por onde andou, seu fujão? — perguntou Grigorii.
         — Por aí. Ainda tenho medo de quando o senhor se transforma em dragão. Nunca se sabe o motivo e o que pode acontecer… E eu, tão pequenino e frágil…
            — Ora, largue de besteira! Pequenino pode ser, mas afirmar ser também frágil é um tanto desonesto de sua parte… Mas vamos lá, o que você ouviu de minha conversa com as jovens aqui presentes?
        — Tudo, acredito. Cheguei quando o senhor estava contando da guerra, entendi o resto da história. Dante se deu mal, isso é fato. Mas o senhor não me venha com mais magias e encantamentos, pelo amor de todos os dragões de nossa história!
         — Senhor Rufus — disse Valentina, que saíra dos braços da irmã e estava se ajoelhando na frente do roedor, enxugando as lágrimas das bochechas. —, pelo que o senhor Grigorii disse, o senhor não é frágil. Sendo pequenino, para não ser frágil deve ser também um tanto poderoso. Tem alguma ideia de como nos ajudar?
        Rufus balançou o nariz chacoalhando os longos bigodes, bateu a calda no chão levantando uma leve poeira e voltou para o canto escuro de onde viera. As meninas se entreolharam, enquanto Grigorii continuava encarando a escuridão por onde o amiguinho entrara.
            Poucos segundos depois, o roedor apareceu com um pequeno frasco preso em um cordão.
            — Quando me tornei aprendiz de Grigorii, fiquei com medo de ser atingido por alguma magia terrível por descuido ou até mesmo em uma guerra, vai saber… Bem, meu avô era mago. Nós, ratinhos, somos a geração de magos mais antiga desse lugar. O dragão aí surgiu justamente de um encantamento criado por meus ancestrais, já que nosso tamanho não permitiria grande proteção à nossa terra. No princípio ele era como, perdoe-me os termos senhor, um cão de guarda. Depois, conforme os velhos magos iam morrendo, Grigorii se tornou o ser mais velho e sábio entre nós. Acabou virando nosso mestre, ensinando para os novos camundongos tudo que deveríamos saber e, por ser imortal, se tornou também o guardião supremo de nossa terra.
            — Bela história, Rufus. — falou Grigorii um tanto orgulhoso de seu título. — Mas agora você se lembra do motivo que o fez contar tudo isso às meninas?
            O roedor chacoalhou os bigodes novamente, ficou em silencio por alguns segundos enquanto encarava o frasco que estava em sua pequena mãozinha. As meninas nem choravam mais, tamanha a curiosidade a respeito do que ouviriam a seguir naquela voz tão engraçadinha.
            — Ah, sim… Me recordo! Esse frasco é uma criação de meu avô. Eu sempre carreguei comigo enquanto aprendia lidar com tais poderes, para o caso de fazer alguma besteira e precisar reverter rapidamente. Só tem uma dose, uma só! Quem toma essa dose, fica livre de qualquer encanto em que tenha caído, seja o encanto que for. E, claro, tudo aquilo que ocorreu em decorrer desse encanto, também deixa de existir.
            — Como assim? — perguntou Judite.
           — Suponhamos que eu jogue um feitiço em você, minha cara. Você se torna uma bruxa poderosa e transforma sua pequena irmã em sapo. Caso você beba o conteúdo desse frasco, não apenas você deixa de ser bruxa como sua pequena irmã também deixa de ser sapo. Compreendes?
              — Sim. Então o que devemos fazer?
            — Hoje já aprendi a lidar com essa magia. Talvez até melhor do que o grandalhão ali, vejam só as consequências de seus atos… Não preciso mais disso e não gostaria de ver meninas tão belas quanto vocês chorando pela perda de um ente querido. Se nunca precisei usá-la em 152 anos…
         — O senhor tem 152 anos? — assustou Valentina. — Meu hamster só durou quatro, que injustiça…
            — Primeiro que não sou um hamster, minha cara. Hamster é criatura boba que só faz correr naquela rodinha que vai para lugar nenhum, e eu sou uma criatura da natureza. Segundo que não sou apenas da natureza, como sou de uma natureza mágica. Lembra-se que há cinco minutos eu dizia que faço parte de uma poderosa linhagem de magos desse lugar? Nós vivemos em torno de 300 anos. Comparando assim, caso eu fosse um humano do mundo de vocês, hoje eu seria um robusto cavalheiro em torno de seus 40 anos. Mas, como eu ia dizendo, até hoje nunca precisei usar tal frasco. Nem comigo, nem com nenhum dos meus. Podem levar. Venho há anos trabalhando nessa fórmula, mas saber que a tenho em mãos me torna preguiçoso. Quem sabe assim consigo, finalmente, desvendar o segredo de vovô.
            Nesse momento, Valentina pegou o roedor nas mãos e lhe deu um beijo no alto da pequena cabeça peluda. Se não fosse seu tom caramelo, poderiam afirmar que Rufus chegou a corar.
            — Muito obrigada, senhor Rufus! Ao senhor também, Grigorii.
           — Ora meninas, chega dessa história de senhor! — resmungou Rufus. — Tudo bem que Grigorii está aparentando um matusalém e ele, de fato, tem muitos e muitos anos a mais do que eu. Mas chega de formalidades. A pequena até já me lascou um beijo, pois.
            Valentina e Judite riram e concordaram. A caçula segurava o pequenino frasco que Rufus havia lhe entregado e, quando estavam prestes a sair da caverna, Grigorii as chamou de volta.
            — Vocês não estão esquecendo de nada?
       Mais uma vez as meninas se entreolharam. Percebendo que não haveria resposta, Grigorii respondeu a si mesmo
            — Vocês não sabem onde encontrar Dante e Zaira. Vocês sequer sabem do que ela seria capaz ou se, nesse momento, Dante não é mais Dante. Como pretendem resolver a questão?
            As duas então voltaram e se sentaram novamente nas pedras.
            — Acho que não tínhamos pensado nisso… — lamentou Valentina.
            — O senhor… Quer dizer… Vocês podem ajudar a gente com isso também?
           — Vejam, a magia capaz de transformar Dante em Vladimir só poderá ocorrer em um local e em um horário. Na próxima noite. Assim que o sol se pôr, Zaira estará se aprontando. Vocês devem encontrar Dante antes que ela o leve desacordado para o local preparado. Provavelmente ela está acampada por perto desse local. Acho que podemos arrumar um pequeno exército para ajudá-las a encontrar. Que acha, Rufus?
— Acho possível agrupar alguns dos meus e pensar em um plano. Não podemos fazer mal à ela, assim como ela não pode nos fazer mal. Como sabem, somos todos da mesma terra mãe, mas acredito que podemos distraí-la.
            — Tudo bem. — respondeu Judite. — Se vocês nos ajudarem a encontrar os dois, depois ainda de nos darem esse frasco, seremos eternamente gratas. E ela poderá nos fazer mal?
         — Nada além de força física. — continuou Grigorii. — Ensinei a ela essa magia, mas ela é apenas uma pessoa normal. Sem elementos especiais, ela nada pode fazer contra vocês.
            — Que bom. Bem, obrigada mesmo. Vamos voltar e montar nosso acampamento, tentar dormir pelo que nos resta da noite porque amanhã temos de estar fortes, certo Valentina?
            — Voltem aqui assim que acordarem, meninas. — disse o pequeno roedor. — Iremos preparar uma boa refeição para vocês e meus companheiros estarão prontos para ajudá-las.
            As meninas agradeceram novamente e saíram da caverna. Rufus e Grigorii trocaram um olhar reflexivo, até que o dragão, que ainda se encontrava em sua forma humana, perguntou:
            — Será que elas conseguirão seguir as instruções corretamente?
            — Na verdade, meu velho guardião — respondeu Rufus, agora com o olhar perdido na abertura da caverna. —, não sei bem o que esperar dessa situação.

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