domingo, 13 de abril de 2014

As Terras de Grigorii - capítulo 10


Voltando para Casa

           Quando Valentina e os roedores reencontraram Judite e Dante, o rapaz estava sentado no chão, encostado em uma árvore com uma tremenda dor de cabeça. Judite havia lhe contado os últimos acontecimentos, pois Dante de nada lembrava.
            — Mas eu ainda não entendi… Se não foi meu irmão que bebeu a poção, como ele se livrou do feitiço? — perguntou Judite enquanto se preparavam para voltar para casa.
            — A poção desfazia qualquer feitiço que estivesse em cima de quem a tomasse, assim como desfazia também qualquer feitiço oriundo daquele primeiro feitiço. Entendeu? Zaira só enfeitiçou Dante porque ela já estava enfeitiçada… — tentou explicar Rufus mais uma vez.
            — Confuso isso. — respondeu a jovem fitando o irmão, que comia alegremente sob os cuidados da caçula. — Mas o que importa é que deu tudo certo para todos.
            — Exato!
            — Menos para mim, não é? — disse uma voz rabugenta que se aproximava. Era Tufurgo, que ainda esfregava o traseiro depois do chute que levou durante a missão. — Vou ficar uns cinco dias sem poder sentar.
            Todos riram e Judite se abaixou para dar um beijo na cabeça do roedor.
            — Sinto muito por seu traseiro, mas saiba que eu e meus irmãos jamais vamos esquecer da sua coragem!
            — É, eu sei que sou corajoso… — respondeu o jovem camundongo todo orgulhoso.
Valentina, após ter ajudado o irmão com a refeição preparada por dona Fineta, também foi agradecer a Rufus, Tufurgo e toda sua tropa.
            — Agora temos uma última missão antes de voltarmos para a caverna. — anunciou Rufus para todos os presentes. — Precisamos levar as crianças de volta ao portal. Se me permitem confessar — continuou com um ar cansado. —, acredito que já tivemos confusão suficiente por esses dias. O traseiro de Tufurgo que o diga!
              Mais uma vez todos riram e se colocaram a caminho da pedra Gonalda.
           
            Após novas despedidas e agradecimentos, Rufus cochichou com Valentina que sabia que ela mudaria de plano no último momento. Ele pôde ver seu coração generoso. Ela deu um novo beijo no roedor e prometeu voltar assim que fosse possível, sem criar confusões da próxima vez. Dante, que já estava consciente de todo o ocorrido e com a cabeça melhor, também agradeceu a ajuda de todos e mandou lembranças a Grigorii, lamentando não poder conhecê-lo.
            — Acredite, meu irmão: a primeira impressão do Grigorii não é das melhores! — disse Judite lembrando do desespero que sentiu ao se deparar com o dragão pela primeira vez.
            — Bom, de qualquer forma — continuou o rapaz. —, agradeçam a ele por mim e digam que, no caso de um dia voltarmos aqui, vai ser uma honra ser assustado por ele. Ah! Se possível, mandem lembranças aos duendes também. Digam a Naomo que deu tudo certo e ele não tem culpa do que me aconteceu. Na verdade gostamos muito dele!
            — Direi, jovem cavalheiro. Aos dois. — respondeu Rufus.
         Os três se deitaram sob a árvore do pica-pau, ao lado da pedra Gonalda, acenando em despedida para os amigos que se afastavam. Dormiram — depois de muito tempo de tentativa, pois de certa forma não queriam ir embora daquele lugar —, e quando acordaram, estavam no parque, naquele mesmo lugar onde haviam deitado antes, sob a árvore que era bem menor que a do pica-pau e perto do balanço de Valentina, que continuava no lugar de sempre.
            — Será que foi tudo um sonho? — perguntou Dante. — Tipo a Alice do coelho branco? Quer dizer, a gente sonhar a mesma coisa pode ser estranho… Talvez alguém tivesse contando essa história para alguma criança aqui perto enquanto a gente dormia.
            — Para você é fácil achar que foi sonho, já que passou o momento mais difícil enfeitiçado e inconsciente… O xixi que eu quase fiz ao conhecer Grigorii não me pareceu coisa de sonho. — respondeu Judite com certa agressividade. — O que você acha, Valentina?
            A pequena apenas sorria, com uma das mãozinhas fechadas em torno de algo que estava preso em seu pescoço e a outra no bolso do vestido. No pescoço estava o frasco que ganhou de Rufus, onde antes estava a poção que salvara Dante e libertara Zaira; no bolso estava a concha que Dante ganhara da sereia e deixara na casa dos duendes quando sumiu com a cigana.
           — Eu tenho certeza de que não foi apenas um sonho. E você viu, Dante? No nosso passeio de hoje, eu que cuidei de você!

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