domingo, 15 de junho de 2014

Resenha #18 — Trilogia: Dragões de Éter (Raphael Draccon)


















Dragões de Éter Vol. I - Caçadores de Bruxas
Páginas: 438
Dragões de Éter Vol. II - Corações de Neve
Páginas: 495
Dragões de Éter Vol. III - Círculos de Chuva
Páginas: 534
Autor: Raphael Draccon
Literatura Nacional
Editora: LeYa

"Nova Ether é um mundo protegido por poderosos avatares em forma de fadas-amazonas. Um dia, porém, cansadas das falhas dos seres racionais, algumas delas se voltam contra as antigas raças. E assim nasce a Era Antiga.

Essa influência e esse temor sobre a humanidade só têm fim quando Primo Branford, o filho de um moleiro, reúne o que são hoje os heróis mais conhecidos do mundo e lidera a histórica e violenta caçada de bruxas.

Primo Branford é hoje o Rei de Arzallum, e por 20 anos saboreia, satisfeito, a paz. Nos últimos anos, entretanto, coisas estranhas começam a acontecer...

Uma menina vê a própria avó ser devorada por um lobo marcado com magia negra. Dois irmãos comem estilhaços de vidro como se fossem passas silvestres e bebem água barrenta como se fosse suco, envolvidos pela magia escura de uma antiga bruxa canibal. O navio do mercenário mais sanguinário do mundo, o mesmo que acreditavam já estar morto e esquecido, retorna dos mares com um obscuro e ainda pior sucessor. E duas sociedades criminosas entram em guerra, dando início a uma intriga que irá mexer em profundos e tristes mistérios da família real.

E mudará o mundo."

Como colocar em palavras um sentimento que as mais belas delas não conseguiriam expressar com lealdade? É assim que me sinto quando penso em falar sobre Dragões de Éter.

Demorei para me entregar aos encantos dessa trilogia. Num primeiro momento porque o título não me atraiu. Nós e aquela velha mania de dizer que não gostamos de alguma coisa sem experimentar ou de alguém sem conhecer... Assim como muitas pessoas também devem ter pensado, eu jurava que essa trilogia se tratava de uma história medieval, cheia de dragões e cavaleiros. Sequer sabia o que éter queria dizer, mas colocou dragão do meio, o lance é medieval. Não que eu não goste de histórias medievais — apesar de focar na questão religiosa, a trilogia A Mão Esquerda de Deus prova que eu gosto e muito desse gênero também —, mas o fato é que eu tinha outras prioridades em vista. Num segundo momento, após eu ter caído no site oficial da trilogia e entendido do que ela se tratava, eu achei que a linguagem leve até demais poderia ser boba, meio infantilizada, tirando boa parte da essência da história e me enjoando com facilidade.

De qualquer forma, apesar de todas essas "barreiras" que enfrentei até decidir que queria conhecer essa obra, acabei comprando e me deliciando como não fazia há muuuuuuito tempo! Parece injusto com os outros livros que venho lendo; não sei se é porque o tema mexe com lembranças de infância ou por se tratar de uma trilogia que eu estou lendo todos os volumes seguidos (o que me deixa ainda mais inserida nesse mundo), mas é fato que Dragões de Éter me conquistou de um jeito que me deixou apreensiva sobre escrever uma resenha. Quando gosto muito de um livro, a primeira coisa que faço quando termino a leitura é escrever a respeito, mas dessa vez o encantamento foi tão grande que tive medo de escrever, escrever, escrever e não dar conta de expressar o que gostaria.

É, acho que já deu pra deixar claro que os livros me conquistaram totalmente. Agora vou falar um pouco sobre a história e suas personagens. Se tratando de uma trilogia, se for falar sobre coisas do segundo e do terceiro volume, acabamos por soltar spoilers de acontecimentos do primeiro, tanto que optei por escrever a sinopse apenas do primeiro lá em cima. Sendo assim, vou tentar focar em pontos específicos sem deixar escapar acontecimentos explicados.

Draccon não apenas nos dá uma nova versão dos contos de fadas que já conhecemos, como entrelaça tais histórias e cria uma justificativa para as mesmas, assim como uma continuação. Por exemplo: você já parou pra pensar na razão pela qual a mãe da Chapeuzinho Vermelho deixou ela ir até a casa da avó sozinha naquela floresta perigosa? E o por que a avó da menina morava naquele lugar? E João e Maria, teriam mesmo sido abandonados pelos pais antes de ir parar da casa da bruxa? Robin Hood conseguiu lutar até o fim pelas causas de seu povo ou acabou preso? Ou, pior, executado? Quem era o príncipe com quem Branca de Neve se casou? Como Maria conseguiu enfrentar a temida bruxa na casa de doces para salvar a si mesma e ao irmão?

Em Nova Ether existem vários reinos, assim como vários reis. Arzallum é nossa sede, onde tudo (ou quase tudo, já que existem viagens e acontecimentos secundários por aí), acontece. É lá que, após liderar uma caçada às bruxas muito bem sucedida, Primo Branford se tornou o Rei dos Reis. 

Acredito que um dos pontos altos desses livros seja justamente sua linguagem. Aquela escrita que eu havia julgado boba e infantilizada acaba mostrando uma singularidade espetacular! Também é interessante destacar a forma como as personagens conversam de acordo com a faixa etária e o grupo social no qual está inserida. Os adolescentes se comunicam de maneira super atual, até com gírias próprias. Os adultos plebeus ainda falam de maneira casual, mas já sem gírias, "tipos", nem nada assim. Os nobres, por sua vez, utilizam uma linguagem mais culta e formal, em especial se tratando da realeza em momentos sociais. E o narrador? Ah, o narrador! Seu papel tem grande destaque durante a narrativa; ele vive comentando os acontecimentos nos dando uma opinião própria.

Tudo bem, a leitura é leve e os tema gira em torno de contos de fadas, mas não se enganem! Não são livros para crianças — pelo menos não teoricamente. Existe um bom tanto de violência na história, assim como assuntos espirituais originais e meio complexos. O primeiro livro foi o que me pareceu mais "leve" nesse sentido, apesar de também conter momentos de violência. Já o último, retratando uma grande batalha entre reinos que não posso explicar quais e nem o motivo, me pareceu o mais "pesado". Normalmente os livros do meio de uma trilogia me passam uma sensação de enrolação; se acontecimentos fúteis e uma história arrastada, com poucas coisas realmente relevantes. Mas não dessa vez! Me surpreendendo em mais um quesito, o livro II chega a ser o meu preferido!

Os personagens principais (é tão difícil apontar personagens principais quando existem tantos carismáticos e importantes na história...), acredito eu, são eles: João e Maria Hanson, do caso da casa de doces; a Chapeuzinho Vermelho, que na verdade se chama Ariane Narin e odeia esse apelido, já que ele está diretamente relacionado ao assassinato da avó; e o segundo príncipe de Arzallum, Axel Terra Branford. O príncipe, apesar de atender ao estilo clássico dos príncipes encantados fisicamente falando, não se comporta como um príncipe em quase nada! Ao invés de, por exemplo, se tornar um cavaleiro que sabe manejar uma espada como ninguém, Axel optou por praticar um esporte pouco convencional à realeza. Maria Hanson é doce e tímida, extremamente paciente, inteligente, sempre busca manter a paz entre os amigos. João Hanson começou como um menino normal, super apegado à irmã mais velha e secretamente apaixonado por Ariane. Ele foi quem mais me cativou e emocionou durante a leitura, tamanha foi sua evolução pessoal e de seu papel na história durante os três livros. Ariane é a típica adolescente esquentada. Fala sem pensar, usa várias gírias e é bem impaciente. Mas também não deixa de ser uma menina adorável.

Enfim, só me resta suspirar e torcer para que outros corações sejam conquistados pelo trabalho do Draccon, assim como o meu foi. Me emocionei demais no final dos três livros, especialmente no último por aquela sensação de vazio de que "acabou"...

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