domingo, 31 de agosto de 2014

Bienal do Livro SP 2014 - Eu fui!


Com mais de um ano de antecedência, eu e uma amiga estávamos animadas e afirmando que iríamos montar uma van pra Bienal do Livro SP de qualquer jeito. Bom, no fim das contas, quem montou foi ela e a mãe dela que conhecia várias professoras interessadas na excursão, mas o importante é que eu estava no meio da coisa.

Como fomos no penúltimo dia, eu já tinha visto muita gente no facebook reclamando que os preços não valiam a pena, que o tumulto estava enorme e tinha muita desorganização. Muita gente dizendo que tinha se arrependido muito de ter ido. Fiquei meio assim ao ler tudo isso porque eu sou uma pessoa relativamente caseira que odeia tumulto. Vou em festas, baladas e tal, mas evito, por exemplo, lugares que eu sei que lotam, são apertados e não tem pra onde fugir. Não que eu conheça alguém que diga "nossa, amo ser sufocada por 80 pessoas dentro de 1 metro quadrado", mas o fato é que existem pessoas que, no mínimo, não se incomodam tanto e preferem focar na parte boa da situação enquanto eu faço o contrário. Não enfrentaria um tumulto dos brabos nem pra apertar a bunda do Johnny Depp, me desculpem! Não enfrentei fila nenhuma nem tumulto nenhum fora o extremamente necessário nesse passeio.

Chegamos na frente do local por volta das 10h30. Não demoramos muito pra encontrar o lugar da fila pra comprar o ingresso... só demoramos mesmo pra encontrar o final da fila. Pra comprar o ingresso então, nem se fala! Uma fila quilométrica (mas bem organizada perto do que eu vinha lendo), várias pessoas cara de pau esperando uma brechinha pra furar. Algumas conseguiam, outras eram chamadas por um dos seguranças. Logo à minha frente ou algumas pessoas além, ninguém furou. Teve uma hora, depois de quase duas horas de fila, que apareceu um cara e um adolescente se enfiando do lado mais escondido de onde eu tava. Passaram as pessoas que estavam atrás de mim e estavam tentando me passar também. Entrei meio que na frente e comentei com as minhas amigas, em alto e bom tom, com um ar nada amigável: "a coisa aqui tá foda, viu!". Eu sei que eu poderia ter levado uns tapas por essa atitude, mas convenhamos: eu tinha passado a noite sem dormir por ansiedade contando com umas duas horas de cochilo só, estava morrendo de fome, hiper apertada pra fazer xixi e ciente que ainda ia ficar, no mínimo, uma hora naquela fila. Isso sem contar a convicção de que, se lá fora estava nessa situação, imagina lá dentro... Já tinha até ativado o modo piloto automático e deixei as meninas falando sozinhas por algumas vezes quando me perguntavam alguma coisa porque eu simplesmente não conseguia me concentrar e ouvir. No fim, não sei se foi pelo que eu falei ou por eu ter entrado na frente deles sem deixar espaço pra passarem, mas eles acabaram ficando atrás de mim. O que não adiantou muito, já que menos de um minuto depois surgiu um segurança avisando que eles não podiam fazer isso e deveriam ir para o final da fila. Um ponto para a justiça!

Pois bem, conseguimos entrar no local pouco depois das 13h00, somando quase três horas de fila logo de cara. Mas tudo bem, chegar lá dentro e, pelo menos entrar logo, renovou minhas energias. Depois de enfrentar mais uma pequena fila no banheiro, claro.

Saindo do banheiro, eu e as duas meninas que estavam comigo começamos a explorar. Passamos num estande onde comprei As Aventuras de Tom Sawyer capa dura por 10 reais. Enquanto eu estava na fila do caixa, avisei que elas poderiam ir pra Saraiva e a gente se encontrava lá. E não nos vimos mais pelas próximas três horas. Mas não fiquei chateada por isso e nem desesperada como achei que ficaria ao "me perder" em uma situação parecida. Na verdade foi aí que ativei o botão "formiga trabalhadora" e saí enlouquecida caçando os estandes que eu queria encontrar sem ser chata de arrastar elas pra onde eu queria ir. Minha independência e determinação entraram em ação como nunca! Eu tinha um Vale Cultura recheado em mãos e precisava fazer aquele sufoco todo valer a pena, porque livraria física do shopping na minha cidade dá dor no coração só de pensar no absurdo dos preços.

Primeiro fui atrás do estande da Editora Novo Século onde a Samanta Holtz (Quero Ser Beth Levitt) estaria. Eu queria muito uma foto com ela e comprar os livros dela que eu não tinha. Encontrei fácil o lugar (lá dentro AINDA não estava tão cheio quanto eu imaginei). Ela estava lá, conversei com ela, peguei os dois livros que eu ainda não tinha e fiquei de voltar para pegar dedicatórias e tirar a foto depois que passasse no caixa, já que eles não podiam autografar livros que não estavam comprados. Conheci também outras obras legais que foram apresentadas pelos próprios autores. Foi muito interessante chegar lá e ser abordada por alguém dizendo: "Oi, tudo bem? Posso te apresentar meu livro?". Nessa primeira visita ao estande comprei os dois da Samanta, dois que me foram apresentados pelos autores, um estrangeiro que eu já queria antes, um do André Vianco e um outro nacional que a autora também estava lá, mas que tinha uma certa fila pra tirar fotos e tudo mais. Saí sem falar com ela pensando na possibilidade de voltar depois. Com o desconto progressivo de até 30%, consegui o máximo com sete livros na mão e paguei por volta de R$ 25 cada, o que foi muito vantajoso levando em consideração que, normalmente, esses livros custam entre R$ 35 e R$ 40 na internet.

Depois fui em busca do próximo item da minha lista imaginária: Nosferatu do Joe Hill. E foi aí que me achei a mais burra das criaturas. Eu não lembrava a editora! Até que vi o símbolo da Arqueiro e tive um pequeno vislumbre. "É aqui!", pensei. Antes de entrar confirmei com a moça que estava organizando a fila (sim, tinha fila pra entrar e as pessoas de lá não eram das mais simpáticas) e era lá mesmo. O preço até que estava razoável, R$ 35 o Nosferatu que era lançamento e também estava por R$ 40 na internet. Mas valendo a pena mesmo estavam os do James Patterson por R$ 9,00. Peguei dois dele e fui pro caixa. Chegando lá, a mulher: "Ai, a gente não tá aceitando o vale, ninguém te avisou?". Merda! Não, não avisaram. Mas tudo bem, levei Nosferatu que eu queria de qualquer jeito e deixei os outros dois lá. Depois disso, antes de entrar em qualquer estande, passei a perguntar se aceitavam o vale cultura. E quase nenhum aceitava, o que foi um tanto decepcionante.

Meu objetivo seguinte foi a Rocco, e foi o pior estande em que entrei! Livros famosos tipo Harry Potter e Jogos Vorazes com preços exorbitantes. O pessoal que estava trabalhando lá era grosso e meio esnobe, com um ou dois pouca coisa mais simpáticos. De lá só peguei o lançamento do Draccon, Cemitérios de Dragões, que também estava num preço bom levando em conta os outros valores e se tratando de um lançamento: R$ 35. Na fila do caixa, passei por alguns títulos que me chamaram a atenção. Não conhecia a autora, mas como tinha que aproveitar a chance pra zerar o vale cultura, pensei em levar. Por sorte passei em uma máquina de consulta de preços antes de chegar no caixa, senão era capaz de passar vergonha e perguntar se estavam tirando uma com a minha cara. R$ 69 por um livro de uma fulana internacional que eu nunca ouvi falar e que trazia uma sinopse genérica. Larguei ali mesmo e peguei só o do Draccon.

Último objetivo, que eu sabia que aceitavam o vale, foi a Saraiva. Pois bem, se na internet os preços da Saraiva são absurdos e eu costumo esperar uma promoção, imagina lá... Isso sem contar o tumulto e a bagunça nos livros. Por ser uma livraria, lá tem livros de várias editoras e de vários gêneros literários. A bagunça estava crítica e tinha muita gente mal educada. Muita! Encontrei um ou dois livros que me interessavam e pesquisei o preço. Um estava o dobro do que estava na internet. O outro era comprável, então procurei a fila do caixa. Imensa! A menina que me informou onde era a fila, ao ver minha cara de "puta merda", deu risada e falou assim: "mas tá andando rápido!". Olhei pra ela, mostrei o livro que estava na minha mão, que era um desses romances modinhas água com açúcar (também leio essas coisas mesmo) e disse: "só pra isso nem vale a pena". Sem querer desmerecer o livro em si, mas era um livro que eu posso comprar na internet até mais barato a qualquer hora. Enfim, saí da Saraiva sem comprar nada.

Conclusão: vamos voltar ao estande da Novo Século! Lá vale a pena e vou zerar o vale rapidinho.

E quem disse que eu achava o estande de novo? Por não ser uma editora das grandes e famosas, não tinha nenhuma placa alta e gigantesca informando o lugar. Eu sabia mais ou menos perto de onde ele estava, mas fiquei rodando por ali feito uma barata tonta por um bom tempo. O tumulto já estava muito maior do que na hora que eu entrei; demorava bastante pra conseguir chegar nas esquinas. Tinha o mapa, mas nessa hora nem ele ajudou, e olha que ele estava fazendo um bom trabalho até então. Quando cansei de sofrer, pedi ajuda pra uma segurança. Ela disse que não tinha certeza das localizações e me indicou uma moça que poderia me ajudar melhor. A moça também foi simpática e tentou ajudar, mas disse que, como era de um estande em especial, era mais seguro eu perguntar no quiosque de informações. Fui lá e o cara até riscou meu mapa pra ajudar, além de explicar certinho por qual corredor eu deveria seguir reto até encontrar o estande. Cheguei, ufa!

Conheci mais um autor que apresentou seu livro, comprei. Encontrei minhas amigas e comprei também um livro que elas estavam comprando. Peguei o segundo volume da autora que já estava lá antes com a fila, assim como peguei a dedicatória dela no que eu já tinha comprado antes. Achei um livro fofo que já estava entre os meus desejados do Skoob e também peguei. Peguei mais um do André Vianco e saí de lá com mais cinco livros e 25% de desconto, ficando também por volta de R$ 24 cada.

E foi quando a coisa ficou feia de verdade.
Até então, no gás de comprar e na determinação de conseguir alcançar os lugares que eu queria alcançar, eu ainda não tinha percebido o quão crítica estava minha situação física e mental. Retomando, eu estava sem dormir, e naquela hora, já somava mais de 15h tendo comido apenas um pão com presunto e queijo, duas barras de cereal, dois mini pães de queijo e tendo tomado menos de 200ml de água. E eu estava suando. Bastante. Bateu fraqueza pela falta de sono e comida, e uma sede enorme; a dor no corpo de quem estava andando sem parar há horas, carregando uma mochila pesada e duas sacolas cheias de livros começou a gritar e eu achei que, dessa vez sim, não conseguiria chegar ao ponto de encontro pra ir embora. Mas no caminho encontrei as meninas de novo, ufa outra vez! Fomos pro banheiro. Uma delas não ia, então ficou sentada tomando conta das sacolas, o que deu uma aliviada nas minhas dores e me permitiu comer umas bolachinhas e beber água.

Um bagaço feliz, cheio de livros novos!
Sério, não sei como sobrevivi. Eu sou daquelas pessoas frescas que têm pressão e resistência baixa e passa mal por tudo. Mal consigo andar cinco minutos de bicicleta sem estar morrendo. Percebi o quanto esse lance de prioridade é capaz de controlar nosso cérebro, porque eu realmente só fui perceber o meu estado lamentável quando pensei "pronto, agora já comprei tudo que era possível, posso sossegar e esperar a hora de ir embora". Livros fazem milagres!

No fim das contas, compensou? Sim, só porque eu tinha o Vale Cultura e a Editora Novo Século estava demais! Mas como passeio e diversão, não aconselharia ninguém a ir. Não era um evento cultural de verdade, nem sequer tive conhecimento de qualquer palestra ou apresentação cultural que estivesse rolando. Me senti em uma 25 de Março de livros em relação ao tumulto, mas a maioria dos preços eram de livrarias de shopping (onde, convenhamos, conseguiríamos comprar com muito mais sossego). Até tinha os lugares mais abertos onde encontrávamos livros entre R$ 5 e R$ 15 reais, mas fora As Aventuras de Tom Sawyer, não encontrei nada que me interessasse. A maioria era de auto-ajuda, religioso ou infantil daqueles fininhos bem simples. Ou seja: no geral, valeu a experiência, valeu conhecer novos autores na Novo Século e as comprinhas marotas que consegui com preço bom, mas como diversão e passeio "cultural", jamais!

O destaque, para mim, foi mesmo a Editora Novo Século.
O pessoal que estava trabalhando lá foi super gentil e atencioso com o público, diferente do que acontecia em alguns dos outros estandes. Os preços já não estavam absurdos e o desconto progressivo deixou tudo ainda melhor, além, claro, de aceitarem o Vale Cultura. Fiz minha festa lá, como já deixei claro. E também acho muito legal a forma como a editora valoriza e aposta em novos autores nacionais. Dos doze livros que comprei lá, apenas dois são estrangeiros. Foi muito bacana poder conversar com vários desses novos autores, tanto pra conhecer obras nacionais da atualidade quanto por sentir a conquista exalando de cada um deles. Eu, que gosto de escrever, sei o quanto é difícil você manter um foco e conseguir desenvolver bem uma história. Tenho dificuldade até com meus contos curtos, imagino com um livro! Mas eles conseguiram, e se a editora aceitou publicar, sabemos que é um trabalho de qualidade. Claro que existe a questão pessoal de gosto e do interesse de cada um pelo tema da história e por como ela é desenvolvida, mas sobre questões técnicas, eles já venceram de conseguir essa publicação. Foi muito legal mesmo!

Foi uma experiência interessante e que me rendeu bons frutos (e muitas, MUITAS dores no corpo). Mas se eu volto? Quem sabe um dia... Por enquanto vou me contentar com as compras pela internet onde consigo promoções boas e os livros chegam confortavelmente na porta da minha casa.

Por fim, deixo abaixo a listinha das minhas compras no evento. E fica a dica sobre os novos autores da Novo Século. Conforme eu for realizando as leituras, pretendo fazer resenhas bem legais!


Novo Século Editora:
O Pássaro (Samanta Holtz)
Renascer de um Outono (Samanta Holtz)
A Arma Escarlate (Renata Ventura)
A Comissão Chapeleira (Renata Ventura)
O Senhor da Chuva (André Vianco)
Sementes no Gelo (André Vianco)
Atemporal (Rodrigo Mendes)
O Senhor da Luz (Graciele Ruiz)
Terras Metálicas (Renato C. Nonato)
A Garota das Cicatrizes de Fogo (Ricardo Ragazzo)
Peidoces (Reymond Bean)
Eleanor & Park (Rainbow Rowell)

Outros:
Nosferatu (Joe Hill)
Cemitérios de Dragões (Raphael Draccon)
As Aventuras de Tom Sawyer (Mark Twain)

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