quarta-feira, 29 de julho de 2015

Resenha #27 — O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares (Ransom Riggs)

O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares
Título original: Miss Peregrine's Home for Peculiar Children
Autor: Ransom Riggs
Editora: LeYa
Páginas: 335

"Tudo está à espera de ser descoberto em 'O orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares', um romante inesquecível que mistura ficção e fotografia em uma experiência de leitura emocionante. Nossa história começa com uma horrível tragédia familiar que lança Jacob, um rapaz de 16 anos, em uma jornada até uma ilha remota na costa do País de Gales, onde descobre as ruínas do Orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares. Enquanto Jacob explora os quartos e corredores abandonados, fica claro que as crianças do orfanato são muito mais do que simplesmente peculiares: elas podem ter sido perigosas e confinadas na ilha deserta por um bom motivo... E, de algum modo, por mais impossível que pareça, ainda podem estar vivas.

Uma fantasia arrepiante, ilustrada com assombrosas fotografias de época, 'O orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares' vai deliciar jovens, adultos e qualquer um que goste de uma aventura sombria."


Durante sua infância, Jacob ficava encantado com as histórias que seu avô contava sobre a vida que tivera. Sobrevivente do holocausto, vovô Portman fora mandado para um orfanato em uma ilha aos doze anos. Suas histórias envolviam monstros com tentáculos saindo pela boca que queriam pegá-lo, contra os quais ele aprendeu a lutar depois ao receber treinamento militar, e crianças peculiares. Naquele orfanato, ele contara, existiam crianças diferentes, como um menino invisível e uma menina que flutuava. E ele tinha fotos para provar! Jacob sonhava em viver aventuras como as do avô, pois possuía uma vida segura e monótona.

Quando começou a crescer e a desconfiar de todas aquelas histórias envolvendo monstros com tentáculos e crianças com poderes (as fotos começaram lhe parecer bem falsas), Jacob disse para vovô Portman que não acreditava em mais nada daquilo e nunca mais falaram no assunto.

Com o passar dos anos, vovô Portman começou a demonstrar grande paranoia, com ataques de pânico e declarações de que os monstros o tinham encontrado. Tudo aquilo fora visto pela família como resultado do que ele havia passado quando criança, sendo os tais monstros uma representação dos nazistas. Os pais de Jacob queriam interná-lo em algum lugar especializado em idosos, mas Jacob nunca permitiu. Acreditava que o avô ficaria melhor em sua própria casa, e era ele que corria para acalmá-lo em suas crises de pânico.

Até que, um dia, Jacob chegou tarde demais.

Após a experiência traumática de perder o avô querido de maneira inexplicável, Jacob começou a desenvolver uma quadro depressivo e tinha pesadelos constantes. Ele jurava que tinha visto a coisa que atacou o avô, a coisa que aparecia em seus pesadelos, mas falar sobre isso apenas o levou para um psiquiatra, com afirmações que de o que ele tinha visto fora apenas uma ilusão pelo choque traumático. Porém, por ter certeza do que vira, Jacob voltou a se questionar sobre as histórias que o avô contava, sobre monstros e crianças peculiares. Será que realmente não eram reais?

Como parte de um plano de recuperação de seu estado depressivo, ele convenceu os pais que precisava visitar a ilha da qual o avô tanto falava. Ele precisava ir até o orfanato da Srta. Peregrine, embora anos e mais anos já tivessem se passado e ele duvidava de que ela ou qualquer criança ainda estivessem por lá. Srta. Peregrine nem viva deveria estar mais...

E de fato, o que ele encontrou foram apenas ruínas e mais fotos, bem parecidas com aquelas que o avô lhe mostrara na infância. Estava ele, sozinho em uma dessas explorações pelos destroços do que um dia fora o lar do avô, quando foi encontrado por crianças... As mesmas crianças que ele estava vendo naquelas fotos. Mas como aquilo era possível? Quantos anos haviam se passado? Como elas ainda poderiam estar vivas e idênticas às fotos?

A partir dessa descoberta, Jacob se envolve em uma aventura atemporal, encantadora e sombria, que lhe traz muitas respostas sobre o avô e sobre si mesmo.

Não posso negar que as crianças peculiares nos remetem aos X-Men, mas mesmo assim, posso afirmar que o desenvolvimento da história foi capaz de conseguir uma originalidade incrível. Desde as primeiras páginas, pequenas pistas sobre a vida do vovô Portman e daquelas crianças são jogadas para nós e para Jacob. O mistério está presente durante todo o livro, e quando tais mistérios são resolvidos, o desenrolar dos momentos finais já estão tão intensos que a leitura nunca perde o ritmo. Esse foi um dos casos que eu olhava a quantidade de páginas restantes para o livro terminar e pensava que não eram suficientes, que muita coisa ainda precisava acontecer ali. E, bem, talvez essa aventura em específico tenha sido bem fechada, mas uma bela porta ficou aberta para novas aventuras. Quem sabe?! (embora, confesso, eu tenha dado uma desanimada de trilogias e coleções várias nos últimos tempos).

De fato, é um livro sombrio para quem não está acostumado com o gênero horror. Mas, para pessoas como eu, que amam livros sangrentos, psicóticos, cheio de monstros dos mais variados tipos e com muitas mortes, O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares acaba sendo uma aventura doce e até infantil. É bem Tim Burton mesmo, e foi justamente uma declaração que ele deu sobre o livro (que ele poderia tê-lo escrito, pois é algo do tipo que ele criaria) que me fez querer levá-lo para casa. E agora, após a leitura, dei uma pesquisada e descobri que ele está realmente produzindo o filme desse livro. Espero ansiosa por mais essa arte.

Agora, para dar aquela aguçadinha a mais na curiosidade, algumas das fotos antigas (e uma ilustração) que fazem parte do livro:








Nenhum comentário:

Postar um comentário